Vereadores de Aracaju debateram durante sessão na Câmara Municipal nesta terça-feira, 3, sobre a desapropriação do terreno da TV Atalaia, no bairro Santo Antônio, na Zona Norte de Aracaju, para a construção do novo cemitério público da capital sergipana.
Defensor da ideia, o vereador Pastor Diego parabenizou a prefeita Emília Côrrea pela decisão e disse que a gestora busca uma solução para um problema que se arrasta a décadas.
“Eu estou no segundo mandato aqui nesta casa e o número de reclamações que a gente tem em relação ao cemitério São João Batista é impressionante. As famílias que chegam lá e não conseguem reconhecer aonde o familiar foi sepultado, ou chegou lá e tiraram o familiar antes do tempo porque precisou daquela vaga de gaveta para uma outra pessoa que chegou ali. Então o que Emília está fazendo é, primeiro, cumprir uma decisão judicial, porque desde 2006 o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública com sentença favorável. Em 2022, ajuizou o cumprimento de sentença, que não foi executado pela gestão anterior, e agora passa a uma execução. Ah, pastor, mas o local é o local apropriado? O local é o local devido? Vamos discutir. Emília já se colocou à disposição para poder conversar com a população, para poder ouvir aquela região, vai apresentar as justificativas de porquê naquela área de aproximadamente 17 mil metros quadrados. Então, antes de qualquer posicionamento, eu acho que primeiro nós precisamos reconhecer que Emília, mais uma vez, ela está chamando a feito a ordem de um problema social que existe em Aracaju há mais de 20 anos.. Então eu quero parabenizar a prefeita por esse grande projeto, essa grande iniciativa, e ainda se colocar à disposição para dialogar com a população”
Por outro lado, o vereador Elber Batalha cobrou transparência e questionou o silêncio dos proprietários da TV Atalaia, que formam uma das maiores redes de comunicação do estado, diante da desapropriação.
“Muito estranho quando se escolhe um local para construir um cemitério, uma zona que já tem sérios problemas de mobilidade. A rua Cláudio Batista se tornou rua de mão única pelos problemas que ela já tem com o Hospital Universitário de Sergipe. Quando a gente consegue, necessita dar uma entrevista presencial ali na 103 FM ou naquelas imediações, a dificuldade de chegar no horário é muito grande por conta do caos que é instalado ali. Se escolhe uma região onde a maioria das pessoas vai ter que circular por vias estreitas, subir uma colina, em alguns casos cruzar o centro da cidade em cortejos fúnebres durante horários de pico para isso. Num segundo momento, não se tem clareza sobre os estudos de impacto ambiental dessa situação, da contaminação do lençol freático, ali é uma região de vários minadouros de água, região do Manoel Preto, onde funcionava historicamente a lavanderia pública. A sociedade não foi consultada. E aí eu tenho que fazer também uma fala mais incisiva no seguinte sentido: como defensor público, eu atuo em vários projetos de desapropriação e tá muito estranha essa desapropriação. O desapropriado tá calado. Nós estamos desapropriando a segunda maior emissora de TV do estado e talvez o maior complexo jornalístico do estado. […] E, para mim, o interesse primeiro aí tá sendo financeiro, e não dar um novo cemitério à sociedade sergipana.”, argumentou.







