ACM Neto e Rueda receberiam R$ 200 milhões do Banco Master, afirma Vorcaro em delação

Foto: Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que o candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, teriam direito a uma comissão de 10% sobre recursos de institutos de previdência estaduais que ajudaram a levar ao Banco Master. Segundo o relato, essa comissão gerou uma obrigação de R$ 200 milhões com os dois políticos, calculados sobre os R$ 2 bilhões que o banco teria captado com a participação dos dois dirigentes do partido. O documento não especifica, no entanto, quanto desse total chegou a ser pago.

De acordo com a proposta, apresentada por Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), ACM Neto e Rueda teriam ajudado o Master a captar recursos dos institutos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá e do Amazonas, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). Pelo modelo descrito pelo banqueiro, cada grupo político que intermediasse a entrada de investimentos receberia 10% do valor aplicado, ou 1% ao ano enquanto os recursos permanecessem investidos na instituição.

O relato também descreve, sem apresentar comprovação, quatro formas pelas quais os valores teriam sido repassados a ACM Neto, entre elas pagamentos em espécie e contratos de consultoria que Vorcaro classificou como fictícios com empresas ligadas ao ex-prefeito de Salvador. No caso de Rueda, os pagamentos teriam incluído recursos em espécie e contratos com o escritório de advocacia de sua família, que somariam cerca de R$ 3 milhões por mês, segundo o banqueiro.

A proposta de delação relata ainda uma reunião entre Vorcaro, Rueda e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, em 2024, na qual os dois teriam pedido ajuda ao banqueiro para viabilizar um aumento de capital da instituição. Segundo Vorcaro, Rueda e Costa passaram depois a cobrar uma comissão de 10% sobre os valores usados pelo BRB para comprar ativos do Master, que seria dividida entre os dois e ACM Neto.

Levantamentos de quebra de sigilo bancário e fiscal do Master, obtidos pela CPI do Crime Organizado, mostram repasses de R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Rueda e de R$ 5,4 milhões a uma consultoria de ACM Neto entre 2022 e 2025, valores inferiores aos citados por Vorcaro em sua proposta. O documento não detalha quanto cada fundo de previdência aplicou nem aponta atos específicos dos dois políticos junto às instituições, limitando-se a afirmar que eles “intermediaram” os investimentos.

Em nota à reportagem que revelou o caso, Rueda disse ter dificuldade de se pronunciar sobre um documento ao qual não teve acesso e negou irregularidades. ACM Neto, por sua vez, classificou as acusações como “absurdas, completamente fantasiosas e mentirosas”. As propostas de delação de Vorcaro já foram negadas pela PF e pela PGR, sob a justificativa de que faltam informações inéditas e garantias de devolução dos valores das fraudes, e o banqueiro tenta agora reabrir as negociações.

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