Candidatos sergipanos mudaram autodeclaração de cor ou raça; Ícaro de Valmir e Luciano Pimentel estão na lista

Um novo cruzamento de dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), feito pelo Portal Fan F1, comparou diretamente os candidatos sergipanos que disputaram as eleições gerais estaduais de 2022 com os que já estão registrados para o pleito de 2026, pleitos cujos cargos em disputa são os mesmos: deputado estadual, deputado federal, senador e governador.

O cruzamento foi feito pelo número de título de eleitor, identificador único de cada pessoa nos dados do TSE, que permanece o mesmo entre pleitos diferentes. Do total de 118 candidatos que aparecem registrados nos dois anos, 12 mudaram a cor ou raça que declararam oficialmente à Justiça Eleitoral, o equivalente a 10,17%.

Conforme a análise, o movimento de parda para branca (6 casos) supera o de branca para parda (5). Entre os 14 nomes, a maioria concorre a deputado estadual ou federal em ambos os pleitos.

NomeCargo 2022Cargo 2026Raça 2022Raça 2026Partido 2026
Edson Luiz Campos da SilvaDeputado FederalDeputado EstadualBrancaPardaAvante
Giovanna Pereira RochaVice-GovernadorDeputado FederalBrancaPardaSolidariedade
Débora Cristiane dos Anjos CavalcanteDeputado EstadualDeputado FederalBrancaPardaPSDB
Cacio Jeorge SilvaDeputado EstadualDeputado EstadualIndígenaPardaPODE
Marcos Vinicius Lima de OliveiraDeputado EstadualDeputado EstadualPardaBrancaRepublicanos
Fabio Henrique Santana de CarvalhoDeputado FederalDeputado EstadualPardaBrancaMDB
Ketry Silva Guimarães LeitãoDeputado EstadualDeputado FederalPardaBrancaMissão
Icaro Barbosa CostaDeputado FederalDeputado FederalPardaBrancaRepublicanos
Luciano Azevedo PimentelDeputado EstadualDeputado EstadualPardaBrancaPL
Avilete Silva CruzDeputado FederalDeputado EstadualPardaBrancaPL
Bonfim Francisco dos SantosDeputado EstadualDeputado EstadualPardaPretaRepublicanos
Tatiane Silva dos SantosDeputado EstadualDeputado EstadualPretaPardaRepublicanos

Por que isso é importante?

Em 2022, o TSE passou a exigir que os partidos destinem, no mínimo, um percentual de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral proporcional à quantidade de candidaturas negras (pretas e pardas) registradas.

Por conta disso, a mudança na autodeclaração, como de “branco” para “pardo” ou “preto” entre eleições já foi alvo de investigações do Ministério Público Eleitoral e de impugnações, sob a suspeita de fraude à cota racial.

Nesses casos, houve avaliação de que a mudança não refletia uma reautoavaliação legítima da própria identidade, mas uma tentativa de acessar mais recursos de campanha.

Entretanto, a autodeclaração de raça é um direito do cidadão e mudanças na percepção sobre a própria identidade racial podem acontecer. Nem toda mudança indica má-fé, e os dados aqui apresentados não permitem, isoladamente, concluir fraude em nenhum caso individual.

Metodologia

Os dados utilizados são públicos e foram extraídos do sistema de Candidatos do TSE, referentes ao estado de Sergipe, nos pleitos de 2022 (545 registros) e 2026 (402 registros, base sujeita a atualização até o fechamento definitivo das candidaturas). O cruzamento foi feito pelo número de título de eleitor, identificador único presente nas duas bases. Candidatos que concorreram a mais de um cargo no mesmo pleito foram consolidados em um único registro por eleição antes do cruzamento, para evitar contagem duplicada.

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