Em entrevista ao Jornal da Fan desta sexta-feira, 6, o médico urologista Ricardo Bragança alertou para a importância dos exames preventivos e do acompanhamento médico de rotina na saúde do homem. O especialista destacou como o preconceito e a resistência masculina ainda atrapalham o diagnóstico precoce do câncer de próstata.
“Existe um grande tabu ainda, uma dificuldade em que o homem vá buscar ajuda, se consultar, sobre tudo consultas de rotina, de prevenção. O homem tem aquela mania de realmente só procurar consulta, ajuda quando já não aguenta mais, não dá para adiar”, ressaltou o médico.
O especialista explicou que o receio das sequelas e do próprio diagnóstico faz com que muitos pacientes adiem a ida ao consultório. “Existe um tabu em relação ao não só o diagnóstico, mas o exame, o próprio tratamento para o câncer que pode deixar algumas sequelas. Então, todas as preocupações muitas vezes fazem com o que o homem adie ou até tenha medo de descobrir algo, como se não investigar, ou não descobrir vai fazer com que ele não tenha a doença. A doença está lá, quanto antes ela for encontrada, melhor a chance de cura deste paciente”, afirmou.
Ricardo também esclareceu que o câncer de próstata em fase inicial não apresenta sinais claros, o que reforça a necessidade de exames periódicos mesmo na ausência de dor ou desconforto.
“É uma doença, um câncer que inicialmente, ele é completamente assintomático, ou seja, o paciente ele não sente absolutamente nada, ou ele nos fala daqueles sintomas sangue na urina, dificuldade de urinar, acordar várias vezes à noite, mas na verdade, esse sintomas eles são mais associados, principalmente os sintomas urinários, ao aumento da próstata, que é algo benigno, algo que acontece com a idade do que com o câncer. O sangramento é mais mais associado a doenças na bexiga, como câncer de bexiga, do que na próstata”, ressaltou o urologista, pontuando que a única forma de identificar a lesão no início é manter a avaliação de rotina.
Ao abordar a investigação médica, o urologista destacou que a combinação de exames é fundamental para um diagnóstico preciso e desmistificou o significado de alterações na taxa de Antígeno Prostático Específico (PSA).
“Os dois exames, o PSA – que é um exame de sangue, uma simples coleta de sangue – e o exame do toque, eles são exames complementares. Um exame não substitui o outro. O PSA é o exame que nós mais utilizamos e ele funciona. O PSA alto não é sinônimo de câncer. Costumo dizer que PSA ele funciona como um alarme que nós temos em casa por exemplo. O alarme toca, você vai lá verificar o que tá acontecendo. Pode ser feito um defeito do próprio alarme, pode ser um gato que passou no muro, pode ser alguém tentando entrar na sua casa. PSA da mesma forma. Um PSA que sobe pode ser apenas um erro do laboratório ou aquele paciente que não seguiu as orientações pro exame. Você tem que ser primeiramente repetido”, explicou, lembrando que a indicação seguinte pode ser a realização de uma ressonância magnética.
Sobre o exame de toque, o médico detalhou a anatomia da região para justificar a importância do exame tátil. “Por outro lado, o exame do toque é complementar. O PSA avalia um aspecto, o toque avalia o outro. A grande questão é que a próstata fica numa localização de difícil acesso. Ela fica na bacia da pelve, atrás do osso púbico, então não é possível tocar nela pelo abdômen, mas ela fica exatamente em cima do reto, então, pelo reto, a gente consegue toca nela e esse lado que é virado para o reto é justamente onde 80% das lesões aparecem”, concluiu Ricardo.








