GACC relata negativa de doação após vitória de Lula: “Nos deixa tristes saber que uma eleição interfere em uma causa social”

O Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC) de Sergipe recebeu na última segunda-feira, 26, uma negativa de doação por parte de uma empresa de aço. Segundo relatos, a decisão estaria relacionada ao resultado das eleições presidenciais, que terminou com a vitória de Lula (PT), no último domingo, 25.

Segundo um representante da instituição, o GACC estaria recolhendo doações para a construção de uma sede ao lado do Hospital de Câncer do Estado de Sergipe, obra com investimento de mais de 10 milhões de reais. Após entrar em contato com representantes da empresa, a organização recebeu a negativa.

“Recebemos a negativa desses empresários, que até então estavam dispostos a nos ajudar. Inclusive, já tinham deixado pré-agendado as visitas, as reuniões. E nos surpreendeu com essa desculpa que não iam ajudar devido à questão do candidato que ganhou, que foi o Lula”, relatou.

O GACC ressalta ainda que, durante o período eleitoral, a organização não manifestou posicionamento político.

O representante da instituição demonstrou preocupação com o cenário, e os possíveis impactos sobre a arrecadação de recursos para à assistência de crianças com câncer no estado.

“Isso nos deixa bastante tristes, de saber que uma eleição interfere em uma causa social. A gente está com muito receio de prejudicar as doações, a assistência aos pacientes oncológicos aqui do estado de Sergipe, devido a esse pensamento pequenez desses empresários”, disse.

O GACC informou que pretende realizar, junto com outras instituições, um levantamento até o mês de dezembro para verificar se houve redução nas doações para que entrem com uma representação nacional.

Após o ocorrido, a instituição lançou nas redes sociais uma mobilização denominada “Dia de Doar – 01/12/2026”, em incentivo à doação como hábito permanente: https://www.instagram.com/diadedoar/

Onda de suspensões

O caso ocorre em meio a uma onda de suspensão de doações e ações sociais por parte de empresas e organizações de diferentes regiões do Brasil, após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, que terminou com a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).

Em publicações nas redes sociais, as empresas justificam que deixariam de realizar doações a pessoas que considera dependentes de auxílios governamentais.

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