Caso BRB-Master: Vorcaro nega fraude em depoimento à PF e pede arquivamento de inquérito

vorcaro

O banqueiro Daniel Vorcaro negou ter praticado fraude nas operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), em novo depoimento concedido à Polícia Federal (PF) e pediu o arquivamento do inquérito. A defesa também solicitou a revogação da prisão preventiva dele, para que responda às investigações em liberdade.

Foi a terceira vez que Vorcaro foi ouvido nos inquéritos policiais. Segundo a defesa, ele respondeu “de forma colaborativa a todas as perguntas”. Em trechos do depoimento divulgados, ele afirmou que “não aconteceu a fraude” e que “esse caso tem que ser arquivado, imediatamente, urgentemente”. Também disse estar disposto a “falar tudo” e que há “outras coisas para serem investigadas”, além de afirmar que eventuais irregularidades de funcionários dos bancos devem ser apuradas.

Em nota, os advogados sustentam que as operações foram “negócios absolutamente lícitos”, baseados em decisões técnicas e colegiadas das instâncias de governança das duas instituições, e que não causaram prejuízo ao BRB nem a seus clientes. Sobre a suposta fraude envolvendo carteiras de crédito da empresa Tirreno, a defesa diz que o negócio não foi concluído e que a troca de ativos gerou resultados positivos para o BRB. Segundo os advogados, a crise de reputação do banco decorre da Operação Compliance Zero, que, na avaliação da defesa, associou o BRB a uma fraude sem base factual e foi “açodada”.

A PF tem outra versão. A investigação aponta a transferência de cerca de R$ 12,2 bilhões do BRB ao Master por meio da compra de carteiras de crédito. De acordo com a corporação, o Master teria simulado a compra de créditos da Tirreno, que não teria histórico financeiro compatível com o volume, e os revendido ao BRB para injetar liquidez no banco durante uma crise. Vorcaro foi indiciado por crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro. A PF o aponta como líder da organização, e as penas somadas podem chegar a 41 anos.

A defesa anunciou contestação na esfera cível, com pedido de perícia técnica para demonstrar a inexistência de fraude e de prejuízos. No Supremo Tribunal Federal (STF), questiona a integridade dos dados extraídos do celular de Vorcaro, com base em análise preliminar de um perito contratado pela defesa, segundo a qual o aparelho pode ter sido alterado após a apreensão. Na quarta-feira, 28, a PF enviou ao ministro André Mendonça um relatório parcial sobre o caso.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *