O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, na terça-feira, 20, acesso aos autos de um inquérito sigiloso sobre suspeita de lavagem de dinheiro, no qual o nome dele teria aparecido em mensagens trocadas com o advogado Willer Tomaz, alvo da investigação. Flávio e Willer negam qualquer irregularidade.
Willer Tomaz é apontado como controlador da Rede Loto, empresa de apostas autorizada a operar no Rio de Janeiro em 2023. O caso é um desdobramento de um inquérito da Polícia Federal (PF) no Rio Grande do Sul sobre evasão de divisas e lavagem de dinheiro ligadas a plataformas de apostas esportivas. O processo foi enviado ao STF em 8 de outubro e distribuído a Moraes em 16 de outubro. Segundo a campanha de Flávio, diligências já estavam em andamento antes de o Ministério Público se manifestar.
Entre os indícios citados pela PF, segundo as informações apuradas, estão mensagens, e-mails e registros de viagens, encontros e reuniões entre Flávio e Willer, obtidos com a quebra do sigilo telemático do advogado. A PF também menciona um e-mail que indicaria Flávio como “usuário master” de uma conta no Santander ligada à Alcazar Holdings, administrada por Willer, da qual uma funcionária do advogado teria pedido a exclusão do nome do senador em maio de 2025, e ao menos cinco viagens internacionais em 2025, com indícios de que empresas de Willer pagaram passagens de Flávio e de familiares. Esses pontos são apresentados como suspeitas, e não como fatos comprovados.
Em nota, Flávio afirmou que há apenas amizade entre as famílias, negou ter conta com Willer como usuário master e classificou as acusações como “fake news” em período eleitoral. Willer Tomaz também negou irregularidades, afirmou ter pedido acesso ao processo e disse que vai prestar esclarecimentos. Segundo ele, a Rede Loto nunca operou como plataforma de apostas, a Cathedral é apenas uma holding patrimonial e não houve circulação de recursos entre as empresas citadas. Ele criticou o vazamento do caso no domingo, horas antes do debate presidencial, e chamou a quebra de sigilo de “pescaria probatória”.







