No último sábado, 10, depois de o presidente Lula (PT) cobrar publicamente de onde sairão os R$ 250 bilhões em cortes associados à campanha do adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL) respondeu em vídeo nas redes sociais, rebatendo a acusação e atribuindo a economia à queda dos juros.
Lula publicou um vídeo nas suas redes sociais desafiando Flávio a detalhar de onde virá o corte de R$ 250 bilhões nas despesas do Orçamento. O presidente questionou se o candidato pretende obter os valores com cortes no Bolsa Família, no salário mínimo ou na aposentadoria.
A cifra de R$ 250 bilhões não saiu de um documento oficial da campanha. Uma reportagem da Folha de S.Paulo publicada na quinta-feira, 8, informou que a equipe econômica de Flávio estuda reduzir despesas obrigatórias em cerca de 2% do PIB, aproximadamente R$ 250 bilhões.
Segundo o relato, o núcleo da proposta desvincularia os reajustes do INSS e do BPC do salário mínimo e acabaria com os pisos constitucionais de saúde e educação. As medidas seriam reunidas em uma “Super PEC da Transição”, que poderia ser enviada ao Congresso entre a eleição e a posse caso Flávio vença.
Em vídeo também publicado nas suas redes, Flávio abriu provocando o adversário: “Lula, em primeiro lugar, você já tá reconhecendo que eu sou o próximo presidente da República, né?”. Disse ainda que o Brasil “não aguenta mais” o petista e pediu que ele “pare de mentir”.
O candidato negou que mexa em benefícios: afirmou que os aposentados serão valorizados, com aumento acima da inflação, e que manterá Bolsa Família e BPC, “só que vou melhorar eles ainda mais”. Sobre a origem dos recursos, citou o que chamou de gastos de R$ 7 bilhões do governo com viagens internacionais, incluindo as da primeira-dama Janja, e disse que cortará “muito mais do que isso”.
O argumento central, porém, é a taxa de juros. Segundo Flávio, a cada ponto percentual de queda abrem-se R$ 100 bilhões no Orçamento, e a simples declaração de que ele é o próximo presidente derrubaria a taxa em 2 ou 3 pontos, o que somaria mais de R$ 300 bilhões. O candidato defendeu que a queda da taxa básica gerada pela confiança do mercado em seu nome reduzirá as despesas com a dívida pública.
Flávio também culpou Lula pela perda de poder de compra. Disse que, por causa dos gastos do governo, o salário “não está durando mais 30 dias, está durando só 20”, e encerrou conclamando os apoiadores: “Bora, Brasil!”.
*Com informações da Folha de S. Paulo








