O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça admitiu ter se reunido com o empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, em São Paulo. O magistrado negou ter tratado sobre a situação da instituição financeira perante o Banco Central durante a conversa.
O encontro ocorreu em 14 de março de 2025, na sede do Instituto ITER, entidade de ensino fundada por Mendonça na região da Avenida Paulista. A confirmação da agenda veio a público após o vazamento de áudios e mensagens apreendidos no celular do banqueiro.
Nos diálogos divulgados pela imprensa, intermediários detalhavam a articulação do encontro. O objetivo citado nas gravações era expor a crise do banco a Mendonça, que é o relator das apurações do caso no tribunal supremo.
A aproximação foi intermediada pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) e pelo advogado Ciro Rocha Soares. Em áudio gravado em 8 de fevereiro, Soares afirmava a Vorcaro que o ministro aceitara recebê-los e já tinha ciência do cenário no Banco Central.
No dia da reunião, mensagens mostram Vorcaro avisando sobre sua chegada às 16h37, quando o deputado respondeu que o ministro já o aguardava. Registros de conversas do empresário com seu motorista indicam que ele permaneceu no prédio até 18h40, embora o magistrado declare que a audiência durou entre 20 e 30 minutos.
Em nota oficial e em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo, a defesa de Mendonça afirmou que a reunião ocorreu a pedido de lideranças da Igreja Batista da Lagoinha, da qual o deputado faz parte. O ministro ressaltou que apenas ouviu os relatos apresentados.
Segundo o gabinete do magistrado, a pauta tratada no encontro se restringiu à Suspensão de Tutela Provisória 976, processo relativo a precatórios da usina Agroindustrial Tabu. A assessoria reiterou que não houve interferência ou tratativa sobre a liquidação do Banco Master antes de o caso chegar à relatoria de Mendonça no STF.








