Luís Matheus Brito lança ‘Uma sessão no parque’ na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju

A poeta e ensaísta Luís Matheus Brito lança Uma sessão no parque a partir das 17h do dia 4 de setembro na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju. Editado pela Impressões de Minas, o livro põe em perspectiva o vínculo entre discurso amoroso e espaço geográfico.

Isso se expressa por meio de títulos que são extraídos de topônimos, como “Avenida São Paulo”, “Cinema Vitória” e “Morro do Urubu”, num primeiro plano. Ao mesmo tempo, expressa-se por meio de um palco que, na maioria dos textos, remonta a paisagem de lugares do estado de Sergipe, sobretudo de Aracaju.

A combinação é um modo de inventar trânsitos para sujeito lírico e desejo: “Os deslocamentos em Uma sessão no parque”, diz Luís Matheus, “são de curta e média distâncias. Mas, às vezes, há imobilidade”.

De caráter híbrido, o livro reúne poemas e uma pequena narrativa, que, em todo o caso, dá continuidade às operações líricas da autora. O conjunto de cenas de Uma sessão no parque representa acontecimentos ínfimos, combinando experiência e imaginação. Em “Luz natural”, acompanhamos o sujeito lírico numa viagem para um litoral: “Sem túneis ao longo da estrada,/ os efeitos fílmicos de passagem/ do claro para o escuro/ e, aproximando-se do último trecho,/ do escuro para o claro,/ eles não me atingem,/ aí escapo da cegueira provisória”.

A codificação é flagrante no trabalho, que preserva a oscilação entre opacidade e transparência de página em página. Isso é uma maneira pela qual os poemas podem adiar o sentido. “Nas composições”, afirma a autora, “sempre há um desvio que impede a formação de quadros completos. Por isso que o inacabamento é inevitável”.

Luís Matheus Brito também é autora de outro título de poesia, Guia de Queixumes (2021), e de um título de ensaios, As propriedades do acaso (2025). Pessoa não binária, ela escreveu o livro mais recente pouco depois da transição, reconhecendo uma voz que indicava algumas diferenças desse momento em diante.

“A questão com a língua, especialmente com os pronomes, era a mais imediata”, afirma a autora, que se dedicou à reescrita de textos já publicados por um momento, a fim de passar alguns pronomes do masculino para o feminino.

“A certa altura, porém, a identidade se desmancha. Deixa de ser significativa menos porque alcancei um sustentáculo universal e mais porque me desloco continuamente, sem postular posições estanques”. A poeta crê que a escrita literária, seja por meio da poesia, seja por meio da prosa, rompe com essencialismos. 

Os textos de Uma sessão no parque foram escritos entre 2023 e 2024, até que chegaram à etapa de edição no meio de 2025, meses depois de Luís Matheus se mudar para Belo Horizonte, onde faz o doutorado em Estudos Literários pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Sob os cuidados dos editores Elza Silveira e Wallison Gontijo, da Impressões de Minas, Uma sessão no parque conta com capa, diagramação e projeto gráfico do designer Mário Vinícius, assim como revisão e posfácio do poeta Lucas Ribeiro Rocha.

Na capa de cada exemplar, o título preserva traços rudimentares, uma vez que o livro passou por processos manuais, como a impressão tipográfica. Ainda em 2024, a obra foi contemplada com um edital cultural da Lei Paulo Gustavo (LPG), que foi aplicado pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) no estado de Sergipe.

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