MPT registra aumento de 35% em acidentes de trabalho com entregadores

Foto: Getty images

A categoria de entregadores motociclistas passou a integrar o top 10 das ocupações com mais notificações de acidente de trabalho no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. O avanço no ranking é reflexo de um levantamento do próprio Ministério, feito a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), que identificou 34.211 acidentes de trabalho envolvendo entregadores motociclistas e ciclistas no Brasil entre 2023 e julho de 2026, com alta de 35% nos registros entre 2023 e 2025.

Segundo o levantamento, 2025 concentrou o maior número de casos da série histórica, com 11.579 notificações, alta de quase 35% em relação aos 8.582 registros de 2023. Do total acumulado no período, a esmagadora maioria dos acidentes envolveu motofretistas (34.004 casos), enquanto entregadores ciclistas somaram 207 ocorrências. Ano a ano, os registros passaram de 8.630 acidentes em 2023 para 10.034 em 2024, chegaram a 11.662 em 2025 e já somam 3.885 até meados de 2026, conforme dados ainda em consolidação.

O estudo, baseado na Classificação Brasileira de Ocupações para motofretistas e ciclistas mensageiros, foi solicitado pelo MPT como parte das ações amparadas pela Nota Técnica nº 14/2025 do órgão. Apesar do volume expressivo, o Ministério da Saúde alerta que os números oficiais tendem a subestimar a realidade, já que boa parte dos entregadores atua de forma informal ou sem vínculo empregatício direto, o que dificulta tanto a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) quanto o próprio registro nos serviços de saúde.

O mapeamento também trouxe um recorte estadual, com a Bahia registrando 777 acidentes no mesmo intervalo. O comportamento no estado nordestino seguiu a curva observada em todo o país, saltando de 120 casos em 2023 para 207 em 2024 e 374 em 2025, ano que concentrou praticamente metade de todos os registros baianos do período.

Para o MPT, os dados devem orientar fiscalizações e subsidiar investigações e políticas públicas de prevenção voltadas ao setor, com foco na responsabilização de plataformas digitais e empresas de transporte de mercadorias pelos riscos da atividade.

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