O governo norte-americano, através do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, anunciou na noite desta quarta-feira, 15, a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida começa a entrar em vigor a partir da próxima quarta, 22.
A decisão é resultado de uma investigação comercial do Escritório que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
No processo, o governo de Donald Trump afirmou que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.
Produtos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A investigação foi encerrada pelo órgão comercial após análises e negociações entre os governos Lula e Trump, além da participação de representantes de diferentes setores da economia através de audiências públicas realizadas no mês de Julho, como parte da reta final do processo.
De acordo com o Escritório, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas.
Reação do Governo Brasileiro
Em nota divulgada através das redes sociais, o presidente Lula que o “dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.
O presidente falou que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”. Além disso, a nota diz que não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio e que o governo brasileiro atuou “ininterruptamente” junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos pelo encerramento das investigações.
Lula também falou que seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda do povo brasileiro, além de continuar a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados. Também foi anunciado que o Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ao final da nota, o presidente criticou a família Bolsonaro e afirmou que “é triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.
*Com informações do G1







