Lúcio defende atuação da Guarda Municipal na prisão de líder comunitária; Elber fala em “truculência” nas abordagens

Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta sexta-feira, 3, os vereadores de Aracaju Lúcio Flávio e Elber Batalha comentaram a manifestação realizada por mães que cobravam da Prefeitura de Aracaju a disponibilização de professores de apoio para estudantes com deficiência na rede municipal de ensino. O protesto ocorreu nesta quinta-feira, 2, em frente ao Centro de Excelência de Educação Infantil (Cemei) Professora Maria Clara Machado, no bairro Lamarão, Zona Norte da capital.

Durante a manifestação, a líder comunitária, Viviane Cristina, foi presa por agentes da Guarda Municipal de Aracaju (GMA), encaminhada à Central de Flagrantes e, posteriormente, liberada após passar por audiência de custódia. A abordagem gerou ampla repercussão nas redes sociais, principalmente pela forma como a manifestante foi retirada do local pelos agentes. Vale destacar que Lúcio Flávio integra a base de apoio da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, na Câmara Municipal, enquanto Elber Batalha faz oposição à atual gestão.

Para Lúcio Flávio, os agentes da Guarda Municipal atuaram dentro da legalidade e seguiram os protocolos previstos na legislação. Segundo o parlamentar, inclusive, foi dada à manifestante a oportunidade de deixar o local de forma espontânea antes da condução.

“Quero manifestar o meu repúdio por esse tipo de expediente de invadir, de fazer manifestação de maneira completamente antidemocrática, utilizando-se da causa das mães atípicas, da causa do autismo. A causa é muito maior do que essa baderna, do que essa falta de respeito, do que esse descontrole. Não se pode deixar que a causa autista seja utilizada por bandeiras políticas, por questões de fins eleitoreiros, que parece que essa turma estava em silêncio nas gestões passadas anteriores e de repente acordaram de um sono profundo. A escola e creche não é ambiente, isso não é opção e não é opinião. Isso é o regramento da nossa sociedade. Quem vive em sociedade deve entender que não é a opinião pessoal que prevalece. Não é o que eu quero, mas é a convenção da coletividade que diz que o ambiente infantil e escolar não permite e não pode. Isso, inclusive segundo o ECA, não é permitido”, explica.

O vereador também defendeu a atuação da Guarda Municipal e afirmou que a retirada da manifestante ocorreu apenas após o descumprimento das orientações dadas pelos agentes.

“A Guarda Municipal é o ente responsável por garantir a integridade do patrimônio público municipal e das pessoas, dos munícipes de Aracaju. A pessoa invasora não atendeu à voz da autoridade e teve que ser retirada daquela forma por opção dela, porque a ela foi dada a opção de sair de maneira mais educada. Mas o que se viu lá foi um episódio vexatório de desrespeito à Guarda Municipal, quando essa moça foi conduzida para fora, com xingamentos, às ofensas, os palavrões, o baixo calão que foi tratado ali”, afirma.

Já o vereador Elber Batalha avaliou que o principal ponto da discussão não foi abordado. “O coordenador da Guarda Municipal, Ricardo, se preocupou mais em desqualificar o histórico da Viviane do que de enfrentar o fato de que a abordagem não foi a melhor. Em nenhum momento as pessoas ameaçaram invadir a creche. Elas estavam na área externa. Existe uma discrepância de quantidade. Mas uma coisa é fato. Tanto Ricardo como aquela senhora que falou anteriormente, que estava assistindo o programa, disse que eram entre 30 a 40 mães com crianças. Quer dizer que essas mães que estão ali lutando por tratamento de seus filhos que têm o Transtorno do Espectro Autista iriam violentar as crianças da creche. Isso demonstra o despreparo da Guarda nesse tipo de abordagem”.

Na avaliação de Elber, a condução da ocorrência reflete uma política de segurança pública baseada na truculência, o que, segundo ele, representa um risco para a população. “A gestão Emília Corrêa, com relação à Guarda Municipal, incorporou o princípio da truculência. É o modelo André David de gerir segurança pública, que passou por lá, deixou essa filosofia e essa filosofia foi encampada pela Guarda. E aí, a população está em risco com esse tipo de postura. Para mim, está claro que ou há um realinhamento de posicionamento desse tipo de postura, de um preparo para a abordagem de situação de crise – ou daqui a pouco, antes de acabar o governo Emília, haverá uma tragédia envolvendo essa ação truculenta da Guarda Municipal”, finaliza.

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