Sindicato das Provedoras diz que custo da internet pode aumentar com medida da Energisa: “Vai ser repassado diretamente ao consumidor”

Foto: Reprodução

Durante entrevista ao Jornal da Fan desta segunda-feira, 29, o presidente do Sindicato das Empresas Provedoras de Internet de Sergipe (Sindipro), Pedro Neto, detalhou o conflito com a Energisa e alertou para os impactos diretos que as medidas da concessionária podem trazer ao bolso do consumidor sergipano e à prestação de um serviço considerado essencial.

Questionado sobre a justificativa da Energisa de que os provedores vêm sendo notificados desde 2025, Pedro Neto rebateu afirmando que a norma técnica enviada pela concessionária, classificada por ele como a mais extensa do Brasil, com 205 páginas, continha diversas falhas.

“O nosso jurídico apontou e ela corrigiu, é tanto que a Energisa atualiza essa norma anualmente, e em 2025, ela atualizou em Julho e em Novembro após o Sindipro apontar os erros”, explicou o presidente, justificando que essas revisões forçaram a concessionária a suspender os prazos iniciais para a adequação das empresas.

Em relação ao acirramento da disputa, Pedro destacou que o sindicato tentou, de diversas formas, resolver a questão de maneira diplomática, por meio de ofícios e reuniões. No entanto, o prazo estabelecido pela Energisa para iniciar a remoção compulsória dos cabos considerados irregulares, a partir do dia 1º de julho, ameaça não apenas a conexão de milhares de usuários, mas também a economia do setor.

Para readequar as redes às novas exigências da concessionária, os provedores terão um gasto elevado, que inevitavelmente será sentido pela população. “A empresa acaba repassando o custo para o preço da internet. Hoje, Sergipe tem uma das internets mais baratas do Brasil, enquanto em estados vizinhos, como Paraíba e Alagoas, os preços iniciam na faixa de R$ 100. Aqui, temos provedores que vendem planos a R$ 79. Com essa situação de corte e remoção, esse custo vai ser repassado diretamente ao consumidor”, alertou.

O risco de desconexão, segundo o presidente, já é uma realidade. Pedro relatou que cortes arbitrários já aconteceram, deixando bairros inteiros de Aracaju sem internet, a exemplo do Jabotiana e do Santa Lúcia, prejudicando moradores e o comércio local que dependem da rede.

Ainda durante a entrevista, o representante do Sindipro acusou a Energisa de utilizar um “jogo de palavras” em seus comunicados, o que acaba confundindo a cabeça da população e jogando a opinião pública contra os provedores de internet.

Um dos pontos de discordância mais fortes é a nova exigência da Energisa para que as empresas instalem placas de identificação contendo o número do projeto de cabeamento em cada poste específico. Para Pedro Neto, a medida é ineficaz e não vai facilitar o combate às fiações clandestinas, que é o principal argumento da concessionária focado na segurança.

“A placa que já existe hoje no poste tem os dados necessários. É obrigação da concessionária saber quem está ocupando o poste dela, e não o contrário”, finalizou o presidente, reforçando que os provedores legalizados já pagam aluguel pelo uso da infraestrutura e não podem ser penalizados pela falta de fiscalização da própria Energisa sobre empresas piratas.

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