Sergipe já registra 9 feminicídios em 2026; assassinato de jovem em Capela expõe ciclo de violência

Foto: internet

Sergipe voltou a registrar números preocupantes relacionados à violência contra a mulher. Dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Ceacrim), vinculada à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), apontam que o estado contabilizou 161 feminicídios consumados entre 2017 e 17 de maio de 2026. Somente este ano, já foram registrados 9 casos, mantendo a preocupação de autoridades e organizações que atuam no enfrentamento à violência de gênero.

O levantamento revela ainda os municípios com maior incidência desse tipo de crime no estado ao longo da série histórica. Aracaju lidera o ranking, com 33 casos registrados, seguido por Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, ambos com 13 casos, Itabaiana, com 10 registros, e Lagarto, com 6 casos. Os números reforçam que o feminicídio permanece como uma das expressões mais graves da violência doméstica e familiar em Sergipe.

Capela

O caso mais recente aconteceu na noite desta terça-feira, 16, e teve como vítima a jovem Rafaely dos Santos, de 25 anos, assassinada a golpes de faca no povoado Pirunga, no município de Capela.

De acordo com informações da Polícia Civil, Rafaely foi atingida por golpes de arma branca dentro da própria residência. Ela chegou a ser socorrida inicialmente para o hospital regional do município e, devido à gravidade dos ferimentos, foi transferida para o Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), mas não resistiu e morreu após dar entrada na unidade.

Segundo relatos de familiares e vizinhos, havia um histórico de violência doméstica entre a vítima e o companheiro, apontado como principal suspeito do crime. As informações iniciais indicam que o homem teria trancado Rafaely dentro de casa antes de desferir os golpes.

Após o assassinato, o suspeito fugiu e segue sendo procurado pelas forças de segurança nesta quarta-feira, 17. Conforme a Polícia Militar, durante a fuga ele chegou a roubar a motocicleta de um vizinho para escapar. Equipes das polícias Civil e Militar realizam diligências em municípios da região na tentativa de localizá-lo.

Rafaely deixa um filho de oito anos. A Polícia Civil instaurou procedimento investigativo, já ouviu testemunhas e representou pela prisão preventiva do investigado.

O novo caso reacende o debate sobre o avanço dos feminicídios em Sergipe e evidencia um padrão recorrente: crimes cometidos dentro do ambiente doméstico, muitas vezes precedidos por históricos de agressões e ameaças já vivenciadas pelas vítimas.

Informações que possam ajudar na localização do suspeito podem ser repassadas, de forma anônima, por meio do Disque-Denúncia 181. O sigilo é garantido.

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