A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), elevou o tom nesta terça-feira, 16, ao comentar os desdobramentos da reunião do Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM) da Grande Aracaju e deixou claro que a capital não seguirá a decisão da maioria dos integrantes do colegiado sobre a emissão de ordens de serviço para as empresas vencedoras da licitação do transporte coletivo de 2024.
Durante entrevista coletiva concedida após uma ordem de serviço no bairro Marivan, na Zona Sul de Aracaju, a gestora voltou a defender um novo modelo para a licitação do transporte público e afirmou que Aracaju não emitirá ordens de serviço para operação do sistema.
“Sempre funcionou de forma precária com ordem de serviço. Querem voltar a fazer ordem de serviço? Aracaju não vai emitir ordem de serviço. Respeitamos a decisão do consórcio, mas Aracaju tem esse posicionamento”, afirmou.
A declaração ocorre após a reunião do CTM que terminou sem consenso entre os entes participantes. No encontro, realizado na última sexta-feira, 12, os prefeitos de Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros e São Cristóvão defenderam a emissão das ordens de serviço para as empresas vencedoras dos lotes da licitação realizada em 2024. Aracaju divergiu da posição e sustentou que o processo já foi anulado pela Justiça e não deveria servir de base para a retomada do sistema.
Na ocasião, o Governo de Sergipe, também integrante do Consórcio, optou pela abstenção, alegando respeito à posição majoritária dos prefeitos integrantes do consórcio.
Nesta terça-feira, Emília voltou a criticar o posicionamento estadual e cobrou uma participação mais efetiva tanto do governo quanto dos demais municípios no financiamento do transporte metropolitano.
“O consórcio foi feito para somar forças. Cada município precisa pagar o seu percentual. Se cada um assumir a sua responsabilidade, a gente avança”, declarou.
A prefeita argumentou que Aracaju tem arcado com a maior parte dos custos para manutenção do sistema e afirmou que a capital desembolsa mais de R$ 6 milhões por mês em subsídios ao transporte coletivo.
“O governo diz que sua participação é de 1,7%. Isso representa cerca de R$ 15 milhões por ano. Aracaju paga mais de R$ 70 milhões por ano. E quem está sofrendo é o povo”, disse.
As declarações ocorreram poucas horas após o governador Fábio Mitidieri (PSD) responder às críticas da prefeita durante entrevista ao Jornal da Fan. O chefe do Executivo estadual negou que o Estado esteja se omitindo do debate e afirmou que apenas respeitou a decisão da maioria dos prefeitos do consórcio.
“Eu estava calado por respeito à vontade da maioria dos prefeitos. Agora não me coloque nisso, muito menos dizer que eu estou me abstendo porque isso é político. Prefeita, me respeite”, declarou o governador.
Fábio também contestou a afirmação de que Aracaju estaria bancando sozinha os subsídios do transporte, destacando a isenção de ICMS sobre combustíveis concedida às empresas do setor, medida que, segundo ele, representa cerca de R$ 15 milhões anuais em apoio ao sistema.
Em resposta, Emília manteve as críticas à atuação do Estado e afirmou que o Executivo estadual deveria assumir papel de liderança nas discussões sobre o futuro do transporte metropolitano.
“Quem devia estar no protagonismo do consórcio era o governador”, afirmou.
A prefeita ainda defendeu a construção de uma nova licitação para o sistema, com acompanhamento do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da sociedade civil. Segundo ela, a proposta prevê uma tarifa inferior à estimada no processo licitatório anulado e a entrada imediata de 150 ônibus climatizados em operação.
Ao final da coletiva, Emília fez um apelo aos prefeitos dos municípios da Grande Aracaju para que contribuam financeiramente com o sistema e reforçou que as decisões precisam ser tomadas com foco nos usuários do transporte público.
“Temos que trabalhar para o povo. O respeito é ao povo. Não podemos mais esperar”, concluiu.
Vídeo cedido por Alex Carvalho, da rede Rio FM








