“Peguei a minha dor e transformei em superação”, diz mãe atípica sobre os desafios e a rede de apoio no autismo

Foto: Reprodução

A psicóloga e especialista em autismo, Zenaide Cardoso, foi a entrevistada do Jornal da Fan, da rádio Fan FM, nesta segunda-feira, 27. Durante a conversa, ela relatou sua jornada como mãe de dois filhos autistas — um de 21 e outro de 6 anos — e como o diagnóstico transformou sua trajetória pessoal e profissional.

Zenaide explicou que o autismo entrou de vez em sua vida em 2021, com o diagnóstico do filho mais novo, Miguel, identificado com nível dois de suporte e comportamento hiperativo. O processo serviu de alerta para olhar o passado do filho mais velho, Mike, de 21 anos, que também foi diagnosticado com autismo nível um e TDAH desatento.

“Daí então, começou a minha luta. Passei pelo momento de luto, porque a gente vivencia o luto do filho idealizado. A gente idealiza um filho e veio outro filho”, revelou a psicóloga. Diante da nova realidade, ela buscou especializações em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Neurociência do Autismo. “Eu peguei a minha dor e transformei em superação para ajudar o meu filho e ajudar as outras famílias”, afirmou.

Durante a entrevista, ela destacou a evolução de Mike, que utiliza seu hiperfoco no trabalho de Marketing da clínica onde ela atua. “O autismo tem isso também, o hiperfoco. Ele é muito bom no que faz. Hoje, toda a questão de marketing da empresa quem faz é ele”, disse. Sobre o filho mais novo, Zenaide ressaltou que os estímulos constantes permitiram que ele evoluísse do nível dois para o nível um de suporte.

A especialista também detalhou os desafios da rotina exaustiva. “A rotina de uma mãe atípica não é fácil. São muitas terapias durante a semana, tem que adaptar toda uma rotina. Muitas vezes eu almoço na recepção da clínica enquanto ele está fazendo terapia”, relatou. Ela aproveitou para alertar sobre o uso de telas, defendendo que o tratamento deve continuar em casa através do brincar e de estímulos reais.

Ao encerrar, Zenaide deixou uma mensagem de esperança e um apelo social. “Acredite no seu filho. É possível regredir a questão do espectro através dos estímulos. E para a sociedade: olhe mais para as mães atípicas. Elas se doam tanto pelos filhos e muitas vezes são esquecidas. Olhem para quem cuida”, concluiu.

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