O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta terça-feira, 7, que buscará a prorrogação dos trabalhos do colegiado por mais 60 dias.
Segundo o parlamentar, o pedido será discutido ainda hoje em reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A prorrogação depende de aval da presidência da Casa.
De acordo com Alessandro, a continuidade da CPI é necessária para aprofundar as investigações em andamento. “Essa CPI tocou num ponto sensível que em 200 anos ninguém tocou, que é o envolvimento direto de ministro do Supremo com figuras, no mínimo, controversas. Aquilo que a imprensa fala há décadas, aquilo que os corredores de Brasília falam há décadas, mas que ninguém nunca colocou no papel, a gente está colocando no papel”, declarou.
O senador também afirmou que o avanço das apurações tem gerado reação. “Isso incomoda sobremaneira. No Brasil, a lei penal só vale para a preta e pobre. Essa é a verdade”, disse, ao citar o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES).
Alessandro ainda questionou procedimentos relacionados à convocação de depoentes e ao cumprimento de determinações judiciais. “Eu desconheço, nesses quase 25 anos de polícia, a hipótese de pessoas que são convocadas para prestar depoimento e conseguem uma salvaguarda de compareça se quiser. Entregue os sigilos que a Justiça mandou entregar se quiser”, afirmou.
O parlamentar também mencionou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e fez referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ao tratar do fornecimento de relatórios de inteligência financeira. “O Coaf está constrangido, está ameaçado para que não entregue relatórios. Por quê? O que tem tão grave que tem que esconder?”, questionou.
Instalada para investigar a atuação de organizações criminosas e possíveis vínculos com agentes públicos, a CPI segue com a coleta de depoimentos e análise de documentos. Caso a prorrogação seja aprovada, os trabalhos devem continuar pelas próximas semanas com novas oitivas e aprofundamento das linhas de apuração.








