Um alerta sobre a possível presença de tubarões no litoral Norte de Sergipe voltou a circular na última semana após funcionários de um condomínio residencial no município de Barra dos Coqueiros relatarem um suposto avistamento dos animais na região.
Diante da repercussão, a oceanógrafa Maria Lúcia comentou o assunto em entrevista ao Portal Fan F1 e explicou o que se sabe até o momento sobre a situação. Segundo a especialista, embora não haja confirmação oficial do avistamento recente, a presença de tubarões na costa sergipana é considerada natural. Algumas espécies, inclusive, podem se aproximar de áreas mais rasas. “Temos espécies de tubarões na costa de Sergipe e algumas delas podem se aproximar de áreas rasas. Entre as espécies de grande porte que podem ocorrer na região estão o tubarão-tigre e o tubarão-martelo”, explicou.
Maria Lúcia destaca que, na área próxima à Barra dos Coqueiros, existe possibilidade de presença do tubarão-tigre devido à proximidade com o município de Pirambu, onde há áreas de desova de tartarugas marinhas, um dos principais alimentos dessa espécie. “Não estamos afirmando que o animal avistado foi um tubarão-tigre, porque não há registro oficial do ocorrido. Mas a possibilidade existe, principalmente por conta da dinâmica ambiental da região”, afirmou.
A oceanógrafa ressalta ainda que o crescimento urbano da Barra dos Coqueiros e a presença de grandes estruturas na costa, como porto e terminal da termoelétrica, exigem maior atenção no monitoramento ambiental. “Há um aumento do tráfego de navios e essa é uma espécie que também costuma seguir rotas de embarcações. Por isso, é importante que haja monitoramento adequado para entender o que de fato ocorreu e evitar alarmismo”, disse.
De acordo com ela, a aproximação de tubarões da costa também pode ocorrer com mais frequência em determinadas épocas do ano, especialmente durante o verão e no período chuvoso, quando há maior movimentação de presas.
Outro fator que pode influenciar na dinâmica desses animais é o processo de descomissionamento de plataformas de petróleo na costa sergipana. As estruturas funcionam como atratores artificiais para peixes e outras espécies marinhas, o que também acaba atraindo predadores. “Quando você retira esses atratores artificiais, os peixes tendem a se dispersar e os predadores passam a buscar alimento em outras áreas. Por isso, é importante analisar como o uso do espaço marinho pode impactar o comportamento das espécies”, explicou.
Ela também chamou atenção para a necessidade de cuidados ambientais, como o controle da eutrofização, relacionado ao aumento excessivo de matéria orgânica na água, e o planejamento do uso das áreas marítimas.
Apesar da possibilidade de presença de tubarões, Sergipe não possui registros oficiais de ataques confirmados. Segundo Maria Lúcia, há apenas relatos antigos que não foram conclusivos. “Existem dois casos antigos, um da década de 1950 e outro envolvendo um pescador desaparecido, mas não há confirmação de que tenham sido ataques de tubarão. Para que um incidente seja registrado oficialmente, é necessário comprovar que a morte ou lesão foi causada diretamente pelo animal”, explicou.
A recomendação da especialista é evitar pânico e reforçar ações de monitoramento na região. “A praia é um espaço democrático de lazer. O importante é que o poder público faça o monitoramento necessário e que a população seja informada com responsabilidade”, concluiu.








