Especialista atesta segurança e analisa que queda de motociclista de viaduto ocorreu devido ao ângulo de colisão: “Condição bem específica”

Foto: Karla Tavares / PMA

O engenheiro civil e diretor de Planejamento, Obras e Processos, do Instituto Federal de Sergipe (IFS), Marcus Alexandre, conversou com a equipe do Fan F1 sobre padrões de segurança na estrutura de viadutos, assunto que foi colocado em debate nas redes sociais depois da morte do motociclista Josué Souza, de 40 anos, que caiu do viaduto do Detran, na Avenida Tancredo Neves, no último dia 23 de fevereiro após tentar desviar de um outro veículo.

O especialista reforçou que as barreiras de proteção de concreto são dimensionadas e aplicadas seguindo características específicas da via, a exemplo os tipos de veículos que trafegam no local e a velocidade média. De acordo com ele, o viaduto em que ocorreu o acidente atende as normas técnicas de segurança.

“Os projetos quando são desenvolvidos, eles passam por análises bem rigorosas para que, sem o seu completo atendimento, essas obras não são executadas. Esses elementos de segurança, principalmente, que é o que nós nos referimos, eles são bem observados para que atendam às questões, às características da via. Isso é trazido por estudos da engenharia viária. Barreiras de contenção, como aquela que nós temos ali de concreto, que são chamadas de barreiras New Jersey, elas são dimensionadas e aplicadas seguindo características bem específicas da via, como, por exemplo, o veículo-tipo e a velocidade diretriz da via, por exemplo. Naquele caso específico do viaduto da Tancredo Neves, a barreira atende plenamente às questões, legais e normativas para a segurança e a contenção dos veículos”, explica.

A barreira New Jersey, mencionada pelo professor, é um dispositivo de segurança viária, feito principalmente de concreto pré-moldado ou plástico (polietileno), projetado para separar fluxos de tráfego, proteger canteiros de obras e conter veículos em colisões. Marcus Alexandre citou que estas barreiras de contenção, que são projetadas e instaladas para garantir segurança em caso de acidentes e evitar quedas de veículo dos viadutos.

“Os estudos são feitos para que essa barreira quando impactada pelo veículo o veículo que passa por aquela via ele seja devolvido ao que nós chamamos de pista de enrolamento, para que justamente em nenhum caso do viaduto não aconteça a fuga desse veículo e não tenha a sua queda em altura. Essas barreiras passam por rigorosos testes também dependendo do seu nível de segurança”.

O professor explicou que as barreiras são definidas de acordo com testes de segurança, com parâmetros de e impactos específicos que vão entre 15º e 25º, ângulos em que geralmente os veículos atingem as barreiras.
Na análise sobre o acidente, o especialista entende que o ângulo do impacto do motociclista foi crucial para a queda do viaduto.

“A questão ali foi muito peculiar. O motociclista em questão, quando ele sofreu aquele desvio, ele atingiu, isso a gente pode ver nas cenas, que ele impacta esse elemento de contenção ou seja a barreira a quase 90 graus. Óbvio que isso merece uma avaliação maior avaliação técnica, mais rigorosa, mas visualmente a gente consegue perceber que o ângulo de incidência impacto dele foi entre 70, 90 graus, podemos dizer assim. Isso faz com que, até por questões físicas, a geometria da barreirinha não conseguisse fazer o seu papel de devolução daquele veículo para a pista de enrolamento. São características bem atípicas, que fogem das questões estatísticas de impacto”, afirmou.

Ele reforçou que o caso, portanto, foi uma fatalidade. “Foi uma condição bem específica, porém podemos dizer seguramente que as barreiras ‘new jersey’ do viaduto atendem perfeitamente as normativas técnicas”, diz o especialista.

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