A Universidade Federal de Sergipe (UFS) voltou a ganhar destaque nacional ao alcançar nota máxima no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes da Medicina (Enamed). O resultado posiciona a instituição entre as melhores do Brasil na formação médica, em um cenário marcado por grandes disparidades de desempenho entre os cursos avaliados.
Ao todo, 351 cursos de Medicina participaram da avaliação em todo o país, mas apenas 49 instituições conseguiram alcançar a nota máxima. O dado chama ainda mais atenção diante do balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que revelou que cerca de 30% dos cursos avaliados apresentaram desempenho insatisfatório, recebendo notas 1 e 2.
Mais de 100 cursos de Medicina ficaram nessa faixa considerada inadequada, o que acarreta penalidades como restrições no acesso ao Fies e suspensão da abertura de novas vagas. Em meio a esse cenário, o desempenho da UFS reforça o papel da universidade como referência na formação de profissionais da saúde.
Para falar sobre o significado dessa conquista, os impactos na formação médica e os reflexos na assistência à população, a repórter Raphaella Teles, do Portal Fan F1, conversou com o diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da UFS, professor Charles dos Santos Estevam. Durante a entrevista, o gestor destacou a importância do resultado e os fatores que contribuem para o bom desempenho dos estudantes, como a qualidade do corpo docente, a estrutura acadêmica e a integração entre ensino, pesquisa e extensão.
“Esse resultado da avaliação do ENAMED mostra que estamos no caminho certo. Estamos entregando à sociedade profissionais qualificados, preparados, que são formados a partir de um corpo técnico altamente qualificado, que são os professores, os técnicos, os estudantes, a administração também que investe em toda essa estrutura. Porque não é só uma ação individual, é uma ação coletiva”, ressaltou o diretor.
O gestor comentou ainda sobre as medidas que devem ser tomadas para as universidades que obtiveram um resultado negativo. Mais de 100 universidades alcançaram nota 1 e 2, consideradas insatisfatórias pelo Inep.
“No momento inicial, o Ministério da Educação (MEC) vai solicitar algumas mudanças do ponto de vista de melhorar a estrutura, melhorar os recursos humanos, contratar mais professores, mais técnicos… tudo isso reflete na formação final de um aluno. A universidade que ela é avaliada de forma ruim, na média, provavelmente ela não tem um centro de simulação, ela não tem um bom laboratório, ela não tem uma boa biblioteca. Então o MEC vai recomendar que tenha essas melhorias e vai dar um prazo para que sejam resolvidos esses problemas”, explicou.
A nota máxima do Enamed é válida para os dois cursos de Medicina da UFS, localizados nos campi de São Cristóvão/Aracaju e Lagarto, mesmo adotando metodologias pedagógicas diferentes. Enquanto o curso de Aracaju segue o modelo tradicional de ensino, o campus de Lagarto utiliza a Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), metodologia ativa que coloca o estudante no centro do processo de aprendizagem.
Entre os estudantes, especialmente no campus de Aracaju, o resultado também foi atribuído a diversos fatores, como o acompanhamento pedagógico e as experiências práticas ao longo da graduação.
“Nossos professores sempre cobram muito da gente. A gente sempre está tendo aulas de alto nível, que influencia muito na nossa preparação”, relatou o estudante Paulo Vinícius.
“Práticas e pesquisas…diversas pesquisas que são ofertadas pra nós, também o ambiente, os meus colegas que são todos muito empenhados , se incentivando, se motivando, assim como os professores”, finalizou Alex Silveira, também universitário de medicina.







