Cerca de 18,7% dos brasileiros, quase um em cada cinco, já experimentaram alguma substância psicoativa ilícita ao menos uma vez na vida, segundo a atualização do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), da Unifesp. O consumo é maior entre os homens (23,9%) do que entre as mulheres (13,9%).
A cannabis segue como a droga ilícita mais consumida no país. Mais de 10 milhões de brasileiros usaram maconha, skank ou haxixe em menos de um ano antes da pesquisa, o que representa 6% da população. Ao longo da vida, cerca de 28 milhões de pessoas com 14 anos ou mais já consumiram cannabis (15,8%), o dobro do registrado em 2012, com crescimento mais acentuado entre as mulheres.
Entre adolescentes de 14 a 17 anos, ao menos 1 milhão são usuários esporádicos de cannabis, metade deles com consumo recente. O estudo aponta uma mudança importante de perfil: o uso caiu entre meninos, de 7,3% para 4,6%, mas cresceu fortemente entre meninas, passando de 2,1% para 7,9%. De forma geral, entre mulheres jovens menores de idade, a proporção que já experimentou drogas é maior do que entre os meninos.
Os dados mostram que 8,1% da população, mais de 13 milhões de pessoas, fizeram uso de drogas no ano anterior à pesquisa. Entre adultos, o consumo subiu de 6,3% em 2012 para 15,8% em 2023, com destaque para as mulheres, cujo índice triplicou no período, de 3% para 10,6%.
O levantamento também revela a expansão do consumo, mudanças no perfil dos usuários, especialmente entre adolescentes e mulheres, e a presença crescente de drogas sintéticas. As regiões Sul e Sudeste concentram os maiores índices, e o consumo é mais frequente entre jovens adultos de 18 a 34 anos. Enquanto o uso de cocaína e crack se mantém relativamente estável, há sinais de crescimento de estimulantes sintéticos e alucinógenos em ambientes urbanos recreativos.
A pesquisa foi realizada em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP) e com a Ipsos Public Affairs.
*Com informações da Agência Brasil








