Em entrevista concedida ao Jornal da Fan desta sexta-feira, 21, o Vereador Lúcio Flávio e o empresário Thiago Sansão, dono do Bacamarte Studio Club, falaram sobre a polêmica envolvendo a fiscalização do espaço e as acusações de intimidação por parte da Guarda Municipal de Aracaju (GMA).
O conflito entre o vereador e o empresário iniciou após o parlamentar receber denúncias sobre a banda “Bozo Kill”, acusada de fazer apologia ao assassinato e decapitação do ex-presidente Bolsonaro, e tomar medidas para fiscalizar o local. O empresário relatou ter se sentido completamente constrangido e coagido, especialmente após agentes da Guarda Municipal portando balaclava e metralhadoras, pararem em frente à sua casa por mais de duas horas, causando medo em sua família. A polêmica resultou no registro de Boletim de Ocorrência contra o vereador e na transferência da apresentação da banda.
Na entrevista, o empresário esclareceu que o local se trata de um estúdio e pelas alegações feitas “tá parecendo que aqui é uma casa de show. [Aqui] é um espaço cultural”. Ele ressaltou, ainda, que abre espaço para que bandas façam ensaios: “Se a banda, ela tem um lado político A ou B, […] isso aí não é comigo. Eu não me responsabilizo pelo que eles falam”.
Ele destacou que a abordagem da GMA causou transtornos. “A minha mãe é idosa, ela usa medicação para hipertensão, ela ficou nervosíssima”.
Ele também afirmou que a presença dos agentes gerou curiosidade na população, porque essa ação não é comum naquela região “Nunca nenhum carro de polícia, nem Guarda Municipal vieram aqui para fazer escolta. Eles passam aqui naturalmente, como passa na avenida – que aqui é praticamente uma avenida- E eu me senti coagido. É muito suspeito isso, a Guarda Municipal ter aparecido aqui depois da saída dele”, disse.
Na oportunidade, ele indagou a de conduta da GMA: “Porque a opressão na periferia? Será que ele faria isso numa casa lá na 13 de Julho?”. Além disso, expressou o desejo de uma atuação policial na periferia: “Eu vejo lá na 13 de Julho, a Polícia Militar lá parada, tomando conta de quem tá fazendo cooper. Lá que a polícia chega aqui é passando. Eu até gostaria sim, que tivesse sempre uma viatura aqui na praça. Aqui é um bairro periférico, pouco assistido. Um dos maiores bairros da cidade, inclusive já foi um dos mais violentos. Através da arte que a gente tá tentando mudar isso”.
E finalizou explicando o sentimento diante da abordagem. “Me senti oprimido, eu tive que prestar um boletim de ocorrência online, porque eu não tive nem condições de sair de casa, com medo de ser perseguido e pelo desespero da minha mãe”, ressaltou.
O que diz Lúcio Flávio?
Por outro lado, Lúcio Flávio destacou que não se posiciona contra o proprietário do studio, mas sim contra a banda e saiu em defesa da GMA, manifestando o “mais profundo respeito às forças de segurança” e defendeu a presença da guarda no local, argumentando que “fiscalização só incomoda a quem está descumprindo o regramento legal” e salientou: “Não sou polícia, eu sou um fiscalizador. Não prendi, não agredi, não botei arma na cara de ninguém”.
Ele sinalizou que a denúncia não foi feita por ele: “É óbvio que não. É importante até, eu não sei se ela foi anônima, eu não faço a menor ideia de quem tenha feito essa denúncia. Pode ter sido, inclusive, a mesma pessoa que me denunciou, a pessoa que veio até mim” e declarou: “Se o meu mandato incomoda a esquerda, estou cumprindo o meu papel”.
O vereador criticou a conduta do empresário, fazendo uma comparação com a banda que estaria no local: “Essas pessoas só se apresentam escondendo a cara. Então, eu acho pouco razoável ele reclamar de policial, reclamar de agente da Força de Segurança que está para proteger as ruas, os bairros, as esquinas, as vielas, e está reclamando dessa pessoa estar se utilizando desse mesmo expediente do que ele queria colocar no palco desse evento dele”, pontuou o parlamentar.
Em relação à conduta de Thiago, ele refutou: “Quem, em sã consciência, se incomoda com o efetivo de segurança pública na sua rua, no seu bairro, ou próximo da sua casa? É estranho esse tipo de comportamento, mas ele fala muito mais de quem tá fazendo esse tipo de ilação do que da própria guarda”, concluiu.








