A Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) de Sergipe informou nesta quarta-feira, 30, que está mobilizada diante dos impactos da supersafra de laranja registrada no estado em 2025. Segundo a pasta, estão sendo feitas reuniões com entidades representativas de produtores e da indústria para discutir medidas de enfrentamento.
O objetivo é buscar soluções para o escoamento da produção, que enfrenta gargalos logísticos diante do pico de colheita em julho, além de possíveis prejuízos com o anúncio de aumento das tarifas norte-americanas.
O alerta sobre a supersafra foi divulgado na última terça-feira, 29, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Sergipe (Senar/SE). Segundo a entidade, as fábricas processadoras, especialmente no município de Estância, não estão conseguindo absorver todo o volume de frutas.
Ainda conforme o Senar, caminhões formam longas filas nos pátios industriais, algumas unidades interrompem o recebimento e há relatos de descarte de frutas nas estradas.
Diante desse cenário de excesso de oferta, os preços passaram de R$ 2.014 por tonelada no segundo semestre de 2024 para R$ 600 em julho de 2025, segundo a entidade.
Segundo a economista da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Sergipe (Faese), Paloma Gois, o cenário preocupa.
“Sergipe é o quinto maior produtor de laranja do país. No primeiro semestre de 2025, os preços caíram drasticamente, um reflexo da supersafra, da desaceleração da demanda internacional e dos custos elevados de produção. Hoje, os valores praticados não cobrem nem os custos operacionais”, explica.
Já de acordo com a Seagri, as dificuldades com o escoamento da produção agrícola vêm logo após um ciclo virtuoso de produção, produtividade e exportação.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) indicam que a safra 2025 de laranja apresenta estimativa de crescimento de 10,4% (417.739 toneladas) em comparação com o ano de 2024 (378.462), um aumento da produção e também da produtividade (com variação positiva de 10,6% no rendimento médio), que deve continuar nos próximos anos.
Esse desempenho vem acompanhado de resultados concretos na balança comercial no primeiro semestre de 2025, quando o estado alcançou superávit comercial com os EUA, com exportações que somaram US$ 54,5 milhões (cerca de R$ 303,5 milhões), o equivalente a 31,35% de toda a pauta exportadora estadual, tendo como um dos destaques os sucos cítricos.
Conforme a secretaria, no entanto, com o anúncio das tarifas norte-americanas, a cadeia produtiva se encontra em alerta máximo.







