Por Narcizo Machado
O messianismo e o populismo nunca foram novidades na política, muito menos na América Latina. Getúlio Vargas foi o “pai dos pobres”, Juscelino Kubitschek surfou no otimismo desenvolvimentista e Fernando Collor se apresentou como o “caçador de marajás”. Todos, a seu modo, usaram a conexão direta com o povo para se sobrepor às instituições. O resultado é sempre o mesmo: quando o culto ao líder supera a crítica racional, a democracia vira palco de paixões cegas e a política vira um show de intolerância.
O Brasil, hoje, é refém desse velho truque. Bolsonarismo e lulismo criaram bolhas de idolatria onde pensar diferente é traição e discordar é crime. A paixão por Lula e Bolsonaro se transformou em devoção religiosa, e quem ousa apontar erros é tratado como inimigo.
É preciso separar os personagens, e sim, eles são diferentes. O bolsonarismo flerta com o golpismo, é violento, prega o ódio como estratégia. Já o lulismo não é a “festa do amor e do respeito” que alguns vendem. É cego, intolerante a críticas e também sufoca a democracia. Um com gritos e ameaças e o outro com patrulha ideológica.
Os dois lados se alimentam do mesmo veneno: o culto à personalidade. Lula e Bolsonaro deixaram de ser líderes políticos para virar “mitos”, “salvadores da pátria”. A lógica é simples: vale mais a narrativa do dia do que a coerência; vale mais o ataque ao “inimigo” do que qualquer compromisso com o país.
Enquanto isso, nas redes sociais, a democracia vira espetáculo de torcida organizada. Lulistas transformam qualquer crítica a Lula em “ataque à democracia”; bolsonaristas chamam toda discordância de “comunismo”. E a política, que deveria servir para mudar a vida das pessoas, se reduz a um ringue de ofensas.
Pior, mesmo com mais gente nas redes sociais, o brasileiro está cada vez mais distante da política real. Formação e leitura passam longe. O que sobra são robôs e militantes digitais servindo à tirania ideológica.
A democracia não precisa de fãs-clubes. Precisa de gente com coragem para cobrar, fiscalizar e reconhecer erros, inclusive dos seus “heróis”. Mas no bolsonarismo e no lulismo a regra é a mesma: relativizar escândalos e criminalizar quem ousa pensar diferente.
O risco é seguirmos como um país que engatinha na democracia, fingindo que escolhe o futuro, mas sempre preso a um falso dilema com dois polos que se retroalimentam no ódio e no medo. Ilusões ficam na juventude, por isso, romper o ciclo e entender que nenhum político, por maior que pareça, é maior que a democracia, passa longe de se tornar uma realidade.
NOTAS DA SEMANA
Respeito faz falta
Em 2007, ao ser empossado governador, Marcelo Déda conteve a militância do PT que ensaiava vaiar o então ex-governador João Alves Filho durante a solenidade. O petista não apenas pediu que cessassem as vaias, como exaltou a trajetória de João Alves, reconhecendo sua importância na história política de Sergipe.
Política de ódio
Nos tempos atuais, parte da classe política ultrapassa os limites do confronto político, ideológico e eleitoral, adotando como ferramenta a proliferação do ódio e da violência. Lamentável. Carecemos de lideranças com altivez e postura.
Sergipe não tem histórico de ‘WO’
Sergipe não é lugar para quem sonha com eleição tranquila. Ganhar por “WO”? Esqueça. O eleitor sergipano gosta do jogo, do suspense, do aperto no coração na hora da apuração. As poucas vitórias com cara de passeio – como as de João Alves em 1982 e 1990 – são meras exceções em um estado acostumado a disputas acirradas. Nem mesmo os baluartes da nossa política, João Alves Filho e Marcelo Déda, tiveram vida fácil no auge. Em Sergipe, até favorito sofre. É preciso aliança bem costurada, liderança e, acima de tudo, jogo de cintura para lidar com um eleitor desconfiado.
Histórico de eleições diretas
✅ 1982 – João Alves (PDS) atropelou com 76,12% contra 23,15% de Gilvan Rocha (PMDB). Único estado onde o PMDB perdeu. Um detalhe dessa eleição é que o voto era vinculado. O eleitor tinha que votar no mesmo partido para todos os cargos, caso contrário o voto era anulado.
✅ 1986 – Valadares (PFL) vence, mas com diferença menor: Valadares 53,00% x 43,55% de José Carlos Teixeira (PMDB).
✅ 1990 – João Alves faz história com outra vitória acachapante: 73,74% contra 25,07% de José Eduardo Dutra (PT).
✅ 1994 – A eleição da “virada de mesa”. Jackson Barreto abre na frente com 47,61% contra 47,39% de Albano Franco no primeiro turno. No segundo turno, Albano reorganiza alianças, “bota com força” no interior e vence: 52,45% x 47,55%.
✅ 1998 – O rompimento de Albano e João Alves leva a mais um segundo turno. Albano vence: 54,39% x 45,61%.
✅ 2002 – João Alves volta ao poder: 55% x 45% de Eduardo Dutra no segundo turno.
✅ 2006 – Déda derrota João no primeiro turno: 52,46% x 45,02%. Uma vitória apertada para quem era a grande esperança de mudança e tinha toda a força de Lula.
✅ 2010 – Déda se reelege, mas não amplia vantagem: 52,08% x 45,19% de João Alves.
✅ 2014 – Jackson Barreto vira o jogo na reta final e vence no primeiro turno, revertendo um favoritismo quase absoluto de Eduardo Amorim desde 2010. Jackson 53,52% X 41,37% de Eduardo Amorim.
✅ 2018 – Belivaldo Chagas, com a oposição dividida, passeia no segundo turno: 64,72% x 35,28% de Valadares Filho. O galeguinho saiu do primeiro turno com o dobro de votos de Valadares Filho.
✅ 2022 – O drama volta com força total: Fábio Mitidieri vence Rogério Carvalho por 51,70% x 48,30%, a eleição mais apertada da história.
E 2026?
Fábio Mitidieri sabe que não será diferente. A sombra da mudança continua rondando a ideia de cerca de 40% do eleitorado. O governador precisará mais do que obras. Mitidieri terá que manter ritmo de entregas, segurar aliados e, principalmente, conquistar o eleitor indeciso que define eleição na reta final. Bom para quem gosta de acompanhar a política, poderemos viver uma eleição histórica.
Composições para 2026
Tem muito partido focado em fechar as chamadas nominatas, e as articulações seguem com jogo duplo de sempre. Os charlatões da política saem espalhando seus nomes em vários partidos para depois abrir o famoso “balcão de negociações”. Virou moda, inclusive, o pedido de pagamento mensal para permanecer filiado a uma sigla. Eita, meu Brasil brasileiro…
Composições para 2026 II
Tem deputado federal e estadual que já banca um alto valor mensal para garantir apoio. As chamadas “lideranças”, quase sempre vereadores, vereadoras ou suplentes, cobram um “PIX” todo mês para manter a fidelidade. E, como sempre, quem é “mantido” hoje, pode muito bem trair o mantenedor amanhã. Nada muda, apenas se aperfeiçoa.
Rogério nos Estados Unidos
O senador Rogério Carvalho integra a comitiva do Congresso brasileiro que está nos Estados Unidos para tentar intermediar negociações com o governo Trump e evitar a efetivação da nova taxação. Antes de embarcar, concedeu entrevista ao Jornal Nacional e defendeu a necessidade de “construção de pontes”. Rogério também postou como agenda antes da viagem uma visita à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP).
Lúcio Flávio quer tutelar?
O vereador de Aracaju, Lúcio Flávio, postou uma crítica à banda Samba do Arnesto. Segundo ele, membros do grupo ofenderam Bolsonaro durante um show no Iate Clube e foram vaiados. Sinceramente? As duas atitudes me parecem livres e normais. Usar a arte para expressar pensamento ideológico é da essência humana, e reagir conforme suas convicções também.
Lúcio Flávio quer tutelar? II
Quem acompanha o Samba do Arnesto já conhece o posicionamento político de alguns de seus integrantes, então não há surpresa. Querer calar artistas é flertar com a censura. Lúcio Flávio quer tutelar? E antes que diga o contrário, Lúcio também tem direito de não gostar, mas não pode querer evitar que pensem diferente dele. Essa é a diferença!
Aprovação de Emília
O instituto Unidade de Informação, Pesquisa e Consultoria Ltda fez dois levantamentos quando a avaliação da gestão da prefeita Emília Corrêa. De acordo com os dados, a aprovação de Emília saltou de 51,2% (maio) para 56,7% (junho). E a desaprovação caiu de 29,8% em maio para 25,5%. Os números foram comemorados por aliados.
Contestam aprovação
Adversários de Emília deverão, ao longo da semana, contestar os números que apontam sua aprovação. O militante Carlito Neto já usou as redes sociais para demonstrar desconfiança em relação aos dados. No Instagram, o perfil Fato Sergipe realizou uma enquete em que a maioria dos participantes afirmou não acreditar nos números divulgados.
Ibrain pode romper com André
O deputado estadual Ibrain Monteiro (PV) pode romper uma aliança histórica com o pré-candidato ao Senado, André Moura. André foi aliado “de primeira hora” do pai de Ibrain, o saudoso Valmir Monteiro. Porém, para 2026, André estaria se aproximando do grupo de Gustinho Ribeiro em Lagarto, e Ibrain já declarou que se isso correr, André não contará com seu apoio.
Georgeo apoia Thiago de Joaldo
Na manhã deste domingo, 27, o deputado estadual Georgeo Passos reuniu seu agrupamento político em Ribeirópolis para anunciar apoio à reeleição do deputado federal Thiago de Joaldo. Georgeo estava acompanhado de familiares e lideranças políticas. O gesto indica o quanto ele poderá se tornar uma das prioridades da oposição para a Câmara Federal em 2026.
Fila zerada
Com pouco mais de um mês de funcionamento, o Centro de Hemodinâmica do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) alcançou um feito histórico: zerou a fila de pacientes com doença coronariana aguda na rede estadual de saúde sem atendimento. Foram mais de 130 procedimentos realizados com padrão-ouro e tecnologia de ponta. O centro, que agora também inicia os procedimentos eletivos e amplia a prevenção cardiovascular, representa um divisor de águas na assistência pública em Sergipe. Detalhe: tudo 100% SUS, com gestão da Fundação Bahiana de Cardiologia, sob articulação direta da Secretaria de Estado da Saúde.
Investimento em Segurança entre os 10
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgou que em 2024, o Governo de Sergipe destinou R$ 785,17 por habitante para ações de segurança, valor que o posiciona entre os dez maiores investimentos per capita do país. Segundo fontes do governo, Fábio Mitidieri tem dado carta branca à Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) para avançar em inteligência, reestruturação e valorização dos quadros, com concursos em andamento e viaturas novas chegando a municípios antes esquecidos. Fatos que geraram esse expressivo resultado.
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