O empresário Neto Coutinho apresentou uma denúncia ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, desta quarta-feira, 16, contra o delegado Jorge Eduardo, da Delegacia Regional de Nossa Senhora da Glória.
O caso, segundo o denunciante, refere-se a atuação do delegado após um caminhão que havia sido roubado ter sido localizado.
Entenda o caso
Neto Coutinho relatou que teve um caminhão guincho roubado por quatro homens após solicitação de um serviço, que teve origem com dois supostos clientes em Itabaiana. Na ação criminosa, o funcionário de sua empresa foi sequestrado e colocado dentro de uma van que havia sido roubada. Horas depois, este funcionário foi localizado em uma rodovia próxima ao município de Jeremoabo, na Bahia. Já o veículo, por meio do rastreador de GPS, foi localizado em Monte Alegre, no alto sertão sergipano, e recuperado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Ao seguir com os trâmites na polícia, Neto foi até a delegacia de Glória para a liberação do veículo, onde inicia sua desavença com o delegado Jorge Eduardo: “O delegado me destratou parecendo que era um marginal, porque quando eu fui buscar meu caminhão na segunda, eu não peguei porque estava em viagem. Fui na terça buscar o caminhão, e ele estava com os dez pneus vazios, sendo que já tinham feito a perícia no domingo”.
Outro motivo de questionamento do denunciante foi o interesse do delegado pela recompensa ofertada pelo dono do veículo para quem localizasse o caminhão, que era R$ 50 mil.
“Antes dele se identificar como delegado, ele disse ‘eu estou com seu caminhão aqui. Está aqui em Monte Alegre, está na esquina na casa de minha sogra. Estou com ele aqui, como é essa recompensa?”. Neto respondeu que teria que dar a recompensa a um homem que teria sido o primeiro a passar informações sobre o caminhão. “Quando eu disse isso a ele falou: ‘não, eu sou delegado de polícia’. O denunciante relatou que após a identificação como delegado, Jorge Eduardo não pediu o pagamento da recompensa.
Contudo, Neto Coutinho questionou o porquê dos pneus estarem vazios. “Eu não sei se a raiva foi porque eu quis registrar o B.O e queria as filmagens na delegacia para saber quem secou os pneus e ele saiu da sala. Tavam dizendo que ele não estava lá, aí depois chegou realmente, entrou com dois agentes, conversou com dois agentes, voltou, veio até mim e disse: “Coutinho, quem secou foi eu, não precisa fazer b.o. Sequei porque o caminhão tava fora para ninguém roubar o caminhão’. O denunciante seguiu questionando porque os pneus foram secados e o veículo não foi liberado.
Em seguida, quando foi tirar o carro para sair do local, Neto disse que o delegado gritou “tire seu carro daqui, saia daqui”.
Delegado responde
O Jornal da Fan abriu espaço para o delegado Jorge Eduardo relatar a sua versão do caso. Ele justificou que os pneus foram secados para evitar um novo roubo. “No domingo, um parente dele esteve lá comigo contando com relação a este veículo. Quando o caminhão chegou na delegacia, o policial plantonista disse: vamos secar o pneu que fica garantido e vamos evitar um problema de subtrair um pneu ou levar um caminhão”, disse. Mas, segundo o delegado, ele foi contra: “Eu disse ‘não há necessidade de baixar os pneus, o rapaz vem na segunda-feira pegar este veículo’. O primo dele está de prova”.
Jorge Eduardo confirmou que solicitou a Neto Coutinho que fosse pegar o caminhão na segunda. “Passou o domingo, passou a segunda-feira toda, ninguém entrou em contato, ninguém disse nada. Aí eu disse: vamos secar o pneu na segunda. Ele chegou na terça aos brados, humilhando os policiais na delegacia”, disse o delegado alegando que Neto Coutinho teria sido agressivo.
Ainda em resposta, Jorge Eduardo negou que perguntou ao primo do denunciante sobre a recompensa. “Não, isso não aconteceu. Eu falei com esse rapaz três vezes: quando eu disse que o caminhão estava no local, a segunda vez quando fui explicar a ele dos pneus, e a terceira na Delegacia de Glória”.
Ele explicou ainda porque ordenou que Neto retirasse seu carro do local. “É contínuo e frequente as pessoas estacionarem na frente do Corpo de Bombeiros. O comandante já sabe, já falou comigo, e eu sempre falo com o pessoal, porque o pessoal sempre estaciona na frente. O corpo de bombeiros tem cinco minutos entre acionamento e sair.[…] Cada vez que eu passo na frente da delegacia, que é vizinha com os bombeiros e eu mando tirar. E foi quando eu cheguei lá, ele, quando eu pedia a ele que tirasse, ele não tirou o carro, permaneceu e eu fui incisivo e disse: pode tirar o carro. E aí quando ele tirou. Querendo apontar já no primeiro momento da polícia, ele se diz amigo da polícia, mas ele não respeitou em nenhum momento”, detalha.
Debate se estende; caso vai para a Corregedoria
Questionado, Neto negou as acusações do delegado sobre comportamento agressivo na delegacia. “Esse argumento é fora de cogitação. A delegacia tem câmera, se a câmera tiver áudio, é bom puxar as imagens para ver que eu cheguei cumprimentando os agentes, tratando bem, apertando a mão. [..] Tá tudo gravado, eu jamais iria desrespeitar um agente de segurança pública, um delegado de policia. Eu não desrespeitei ele em momento algum”, negou.
O denunciante disse que está com medo da situação e tem receio de ir buscar o caminhão. “Ele veio dizer que eu estava destratando os agentes, agora que eu já estou com mais medo, não queria ir, agora que não vou mais pegar o caminhão, por mim fica aí. E outra , secar os dez pneus é um absurdo, custam de R$ 4 a 5 mil um pneu desse. Secasse um ou dois, mas dez? Não existe”, desabafa.
Foi instaurado um procedimento administrativo para apuração dos fatos O caso já foi denunciado à Corregedoria de Polícia.








