Uma discussão acalorada marcou a sessão da Câmara Municipal de Aracaju nesta quarta-feira, 9, após a apresentação do Requerimento nº 235/2025, de autoria da vereadora Professora Sônia Meire (PSOL). O documento solicita ao secretário municipal do Desenvolvimento Econômico e Inovação informações sobre contratos e acordos celebrados entre o município e entidades vinculadas ao Estado de Israel.
Durante sua fala, Sônia destacou que o requerimento tem como objetivo buscar transparência e fomentar o debate sobre os impactos do conflito na Faixa de Gaza. “Nem tudo está completo no Portal da Transparência. Precisamos de respostas concretas. Esse requerimento é uma forma de nos ajudar na reflexão e impedir, inclusive, que o município mantenha acordos com um Estado que não respeita resoluções da ONU”, argumentou, citando os bombardeios que afetam civis em Gaza como um “genocídio”.
A fala provocou uma reação imediata e veemente da vereadora Moana Valadares (PL), que acusou Sônia de antissemitismo. “O antissemitismo da vereadora travestido nesse requerimento deixaria Hitler orgulhoso. Isso é de causar inveja a qualquer nazista”, disparou Moana.
Moana foi além e questionou diretamente as motivações de Sônia: “O que a senhora tem contra o povo judeu? Não a vi lamentar os bebês degolados em Israel, nem as mulheres estupradas. Isso é uma vergonha para esta Casa. Em Aracaju, antissemitas não vão se criar. Israel representa os valores judaico-cristãos que sustentam a nossa civilização”, afirmou, acusando a colega de defender regimes ditatoriais e fundamentalistas, como o Irã e a Venezuela.
A Professora Sônia rebateu com firmeza. “É preciso ter conhecimento histórico da geopolítica internacional para discutir aqui. O que está em pauta não é religiosidade, é o imperialismo que subsidia a morte de populações inteiras. A vereadora Moana nem trabalha, não frequenta esta Casa com regularidade e quer vir aqui posar de defensora de Israel sem compreender o que está por trás dessa guerra. A senhora não tem condições de discutir esse tema”, disse Sônia, visivelmente irritada.
Moana, por sua vez, insistiu nas críticas: “A perseguição da vereadora ao Estado de Israel é clara. Seu objetivo é impedir que Aracaju mantenha qualquer tipo de relação com Israel. Esse tipo de sentimento é o mesmo que levou ao extermínio de milhões de judeus na Segunda Guerra. Não passará. Contra antissemitismo, toda reação é necessária, e eu não me omitirei.”







