Levantamento da UFS revela que rio avançou 130 metros em uma década e ameaça Praia do Saco

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Foto: Josafá Neto / Rádio UFS

Um levantamento realizado pelo Laboratório de Progeologia da UFS revelou que a erosão costeira na Praia do Saco, no município de Estância, no litoral sul de Sergipe, fez as águas do Rio Piauí avançarem 130 metros sobre a própria margem nos últimos 10 anos. A força da água fluvial causou o recente  desmoronamento da ‘Casa da Rainha’, construída na foz do rio.

O estudo aponta que a construção de imóveis na região ocupou uma barra arenosa que separava a foz de um manguezal. “Essas consequências vistas hoje justamente na área conhecida como Ponta do Saco eram previsíveis diante da própria dinâmica do rio, porque se trata da ocupação humana em um lugar instável geologicamente falando,” explica Júlio César Vieira, pesquisador do Laboratório.

Além disso, outro motivo que explica a erosão costeira no litoral sul é a construção dos chamados ‘quebra-mares’, pedras utilizadas para impedir o avanço do mar na faixa de areia também acelerou o processo de erosão. Segundo o pesquisador do Laboratório de Progeologia, o quebra-mar acaba empurrando a energia das ondas do mar para a foz do rio.

“As margens sergipanas do estuário são totalmente preenchidas com quebra-mares feitos em grande parte de forma individual e sem nenhum critério técnico. Isso fornece uma proteção parcial às residências alvo, mas acabam por transferir a energia das ondas e correntes para outro local”, explica Júlio.

Avanço da faixa de areia no mar 

Se porção de terra às margens do Rio Piauí praticamente desapareceu na última década com o avanço das águas na região da foz,  a faixa de areia à beira mar do lado sergipano aumentou 180 metros no período analisado. Em 1992, a distância entre a região da Ponta do Saco, em Sergipe, e o Pontal de Mangue Seco, na Bahia, era de aproximadamente 3.000 metros. Hoje ela chega a 5.500 metros. Ou seja, a distância entre as duas margens praticamente dobrou em cerca de 30 anos.

“Nós temos dois rios de duas bacias completamente distintas, Real e Piauí, desembocando no mesmo ponto do Oceano Atlântico. Uma das principais consequências disso é um estuário extraordinariamente largo. Qualquer intervenção desastrada pode intensificar ainda mais este processo”, alerta o pesquisador.

Riscos podem ser ainda maiores 

Os estudos na região seguem sendo realizados. Os pesquisadores do Laboratório de Progeologia da UFS estão realizando ainda a batimetria da foz do Rio Piauí, que é a medição da sua profundidade. O objetivo é verificar se o quebra-mar também está provocando o aprofundamento do canal do rio.

“Se encontrarmos um canal muito profundo no estuário, principalmente próximo às casas, teremos uma situação de risco muito grave. Essa análise será feita nas próximas duas semanas e enviada aos órgãos competentes, como a Defesa Civil Estadual”, ressalta Júlio.

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