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“Tem que acabar fogos de artifício para uso recreativo”, diz coordenador da Unidade de Tratamento de Queimados do Huse

Da Redação

19/06/2024


Segundo o médico e coordenador da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), Bruno Cintra, a ocupação da unidade excede os 100% durante o período de festejos juninos. 

Em entrevista ao Jornal da Fan, da rádio Fan FM, nesta quarta-feira, 19, ele falou sobre os esforços empreendidos para garantir o atendimento aos pacientes que chegam ao Huse com queimaduras. 

“Na verdade, a Unidade de Queimados tem 80 a 90% de ocupação o ano inteiro, a gente ressalta muito nessa época do ano, mas o ano inteiro ela tem lotação limite, no São João piora, por conta dos fogos de artifício, das fogueiras, então é uma época em que a gente sempre está lotado. Mas aí, naturalmente, a gente se organiza com o hospital e com a Secretaria da Saúde, outra ala no hospital é aberta para a gente poder dar assistência a esse paciente. Agora realmente é o pior momento, mas é uma rotina anual, não há nada que fuja do esperado”, explicou. 

Na oportunidade, o médico foi questionado quanto à cultura nordestina de utilização de fogos de artifício para uso recreativo e o impacto disso em Sergipe, na Unidade de Tratamento de Queimados. Em sua opinião, o manuseio desses materiais deve ser feito apenas por profissionais. 

“A minha opinião é que tem que acabar fogos de artifício para uso recreativo, os fogos de artifício têm que ser utilizados por profissionais que entendam disso, para festas, né? Por exemplo, o Arraiá do Povo, se tivesse uma apresentação de fogos de artifício com alguém que sabe manuseá-los, perfeito, é bonito. O problema é o público comum que vai manusear e perde mão, perde dedo, perde vida, e isso é uma rotina de décadas”, completou.

Durante a entrevista, o médico mencionou a necessidade de estender a atenção prestada na UTQ por conta da superlotação e a relação dessa realidade com a tradição de soltar fogos. 

“A gente está com vários pacientes internados com problema em mãos, chance de perder dedo, chance de perder vida por conta de fogos de artifício, então tem que acabar isso, essa questão cultural muito forte aqui na nossa terra, mas as culturas mudam, se a gente lembrar um pouquinho, há uma década você fumava dentro de avião e dentro de restaurante, hoje parece absurdo, mas isso era previsível, você podia não usar cinto de segurança. A cultura muda e muda para melhor, e essa questão dos fogos já passou do tempo de ser proibida por lei e punir quem utilizar”, finalizou. 

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