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“Eu não faço parte de nicho, eu defendo a sociedade”, diz André David após polêmica com mulheres trans no Centro

Da redação

22/01/2024


O delegado André David rebateu as críticas recebidas por sua atuação policial nas redes sociais no caso envolvendo as mulheres trans no Centro de Aracaju. Durante entrevista no Jornal da Fan, da rádio Fan FM, na manhã desta segunda-feira, 22, o agente respondeu questionamentos do público e do colega de corporação, o delegado Mário Leony, que questionou os métodos utilizados pelo policial.

“Eu tive acesso a uma entrevista lamentável do delegado responsável pelas investigações em que tanto ele quanto o entrevistador se reporta a todo momento às investigadas, que são travestis, utilizando pronomes masculinos e ele também manda um recado para essas meninas. Ele diz que elas devem comparecer na delegacia, no dia seguinte, para se explicar e devolver o aparelho celular supostamente roubado. Ele não intima formalmente as investigadas. Ele se utiliza da imprensa para mandar um recado para essas meninas dizendo que, se elas não comparecerem no dia seguinte, ele vai atrás delas. Ele vai caçá-las durante a madrugada, lá no centro da cidade. o que pode ser entendido como uma ameaça em razão dele ser notoriamente conhecido aqui, Sergipe, como um justiceiro”, aponta o delegado Mário Leony.

André David rebateu: “Eu fico profundamente envergonhado, porque a pessoa joga fora, joga no lixo a sua instituição, o local que ele trabalha. Ele trabalha em homicídios, ele conhece as três que estão lá, ele sabe uma, inclusive, praticou um homicídio bárbaro e a família da vítima? E a família daquele adolescente que morreu? Tudo bem, não tem nada a ver com esse caso, né? Mas uma dessas trans aí que espancaram, tem 15 dias que ela tava presa, 15 dias por crime de extorsão. Então assim, essa narrativa comigo não cola. Eu não faço parte de nicho algum, eu defendo a sociedade. Ele é delegado de polícia, ele deveria defender a sociedade, não um nicho. Mas como ele está defendendo o nicho…beleza! Mas eu não vou aceitar que manche a minha carreira”, disparou o delegado responsável pelo caso.

O caso ocorreu na madrugada da última sexta-feira, 19, e tem repercutido, inclusive na classe política. A deptuada estadual Linda Brasil moveu uma ação contra o delegado André David pela condução midiática do caso.

No entanto, o agente afirma que não vê erro e faria novamente. “Eu mandei o recado para três criminosos, não para três mulheres trans. Até porque foram [outras] mulheres trans que me informaram e me passaram a foto delas. Quando eu dei a entrevista, eu disse a elas para se entregarem, porque facilitaria e evitaria o constrangimento de realizar a prisão em flagrante. De fato, elas foram, mas sem advogados. Eu disse que só as ouviria, e só as ouvi, quando elas constituíram um advogado e só foram interrogadas na presença do mesmo. E não apareceu ninguém de ONG, ou da própria deputada para acompanhar as mesmas, eu que as tratei com a dignidade que mereciam, apesar delas não terem tratado com dignidade a vítima”, afirmou André.

O delegado continuou: “Sobre a forma que eu falei, de que ia buscar o criminoso, eu vou falar sempre. Eu sou delegado de polícia, eu tenho que prender o criminoso. Não importa a raça, o sexo, a crença, ou a classe social. Se cometeu o crime, eu vou buscar e vou prender”, finalizou André David.

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