Diretor de quilombo urbano faz apelo às autoridades sergipanas: “Façam alguma coisa pelo território quilombola”

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Para o diretor do Grupo Criliber Luiz Bomfim, o Dia da Consciência Negra, celebrado nesta segunda-feira, 20 de novembro, é um momento de luta, resistência e de externar reivindicações. Em entrevista ao Jornal da Fan, da rádio Fan FM, ele fez um apelo aos governantes dos Executivos da capital e do estado quanto à valorização dos quilombos urbanos. 

O Criliber – ou Criança Liberdade – se configura como um ponto de cultura, turismo e qualificação profissional voltado à população quilombola em Aracaju.

“Quero pedir para que aqueles que estão nos ouvindo, como o poder público municipal e estadual, que possam ter, de agora em diante, um olhar especial ao nosso território quilombola, porque nós sabemos o quanto o prefeito Edvaldo Nogueira tem feito por Aracaju. O governo do estado tem um ano, vai fazer um ano, também tá fazendo algumas coisas, mas no tocante ao território quilombola, nós exigimos, aproveitando esse momento, para que eles façam alguma coisa pelo território quilombola que não foi feito ainda”, explicou. 

Na oportunidade, Luiz falou sobre a relação entre o impacto da escravidão em alguns municípios de Sergipe e a formação de um quilombo no Centro da capital.

“É muito assustador para uma parte [da sociedade], quando se fala a expressão ‘quilombo’, em pleno Centro da cidade, porque o nosso quilombo, dos bairros Getúlio Vargas e Cirurgia, está em pleno centro da cidade. Mas eles foram formados no fim do século XIX, quando foram criadas famílias quilombolas, famílias que fugiam do processo de escravismo em alguns municípios, a exemplo de Laranjeiras, de São Cristóvão, Santa Rosa de Lima, outras cidades como Maruim, Riachuelo e Japaratuba. Então, esses municípios ainda continuaram, mesmo após a abolição da escravatura, continuaram com o processo de escravismo a essa população”, completou. 

Como consequência, explica Luiz, houve a ocupação da região central da capital, hoje correspondente aos bairros Cirurgia, Getúlio Vargas e Suíssa.

“A estratégia dessas ações do movimento quilombola em Sergipe era formar, era uma articulação que eles vinham pra cá para contrapor o sistema escravista da época. Então, aí a partir daí, com a povoação dessas pessoas, que foram filhos de escravizados, e que constituiu todo esse processo de luta, que antes essa área aqui dos bairros Getúlio Vargas, Cirurgia e Suíssa, era uma área única, era um território só, e que antes chamava de Alto da Bela Vista ou Morro dos Negros, era assim que ela chamava, depois na época dos governantes, foi que dividiram essa área”, finalizou. 

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