Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado uma marcante transformação no perfil do seu eleitorado, com um expressivo aumento no número de eleitores idosos. Esse fenômeno é resultado direto do processo de envelhecimento populacional que o país atravessa, com a expectativa de vida em ascensão e a diminuição das taxas de natalidade. Segundo fontes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os eleitores com 60 anos ou mais, somam 30,2 milhões, ou seja, 20,4% do eleitorado, considerando as eleições de 2022.
Com o aumento da expectativa de vida e o acesso a melhores condições de saúde, os idosos têm se mantido ativos e participativos na sociedade, inclusive no âmbito político. Esse novo cenário tem despertado nos partidos políticos e candidatos a necessidade de traçarem estratégias com intuito de acessarem essa parcela do eleitorado que está se tornando cada vez mais ativa no processo político.
Desse modo, é preciso que as agremiações partidárias estejam atentas para esse fenômeno social, fomentando a candidatura de pessoas idosas que consigam ampliar o debate sobre questões que interessam a essa parcela da população. É preciso que os candidatos estejam mais preparados e demonstrem sensibilidade às demandas da terceira idade, conquistando o apoio e a simpatia desse eleitorado.
Assim, a construção das plataformas de governo e os discursos de campanhas precisam dispensar atenção especial às reivindicações da população idosa. Questões como a garantia de aposentadorias dignas, políticas de saúde focadas nas demandas da terceira idade e ações de combate à violência contra os idosos se tornaram pautas prioritárias para esse segmento da população.
Outro aspecto que merece destaque, é a participação e a interação dos idosos por meio das redes sociais. Quem não possui aquela tia senhorinha que adora compartilhar conteúdo sobre política no grupo da família? Na maioria das vezes, é o estopim para diversas desavenças, mas sempre na busca fomentar o debate sobre temas polêmicos e importantes.
Entretanto, esse aspecto deixa evidente a participação ativa dos idosos nas redes sociais usando sua experiência e conhecimento acumulados para se engajarem em debates, disseminar informações e influenciar o cenário político. Através das redes sociais, os idosos encontram um novo espaço para exercerem sua cidadania e garantirem que suas vozes sejam ouvidas.
É preciso que os partidos estejam preparados para lidar com essa nova realidade, que é a participação ativa da terceira idade na vida política do país. Os idosos representam um verdadeiro tesouro de sabedoria e experiência acumuladas ao longo das décadas. Ao participarem da política, eles trazem consigo o conhecimento de lutas passadas, conquistas e desafios superados, fornecendo uma perspectiva única sobre as demandas sociais e as transformações históricas. Essa bagagem enriquece o debate político e ajuda a evitar a repetição de erros do passado.
Sem dúvidas, o aumento expressivo do eleitorado idoso no Brasil é uma realidade que demanda um repensar das agremiações políticas para uma maior integração dessa significativa parcela do eleitorado. Além disso, a presença ativa dos idosos enriquece o debate público, eis que, trazem consigo a sabedoria de quem já venceu as adversidades e ajudou a construir parte da nossa história.
Nesse contexto, é fundamental valorizar e incentivar a participação política dos idosos, reconhecendo o potencial transformador que a voz da experiência pode trazer para construção e fortalecimento da nossa democracia visando sempre um país mais plural e inclusivo.
Por Wesley Araújo, advogado especialista em Direito Eleitoral









