O Setembro Amarelo é uma campanha que desde 2015 conscientiza a população a respeito do combate ao suicídio. O ato de matar a si mesmo ainda é encarado por parte da sociedade como um tabu. Segundo especialistas, o suicídio é provocado principalmente pela depressão, doença considerada o mal do século e que segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que só em 2016 a taxa de suicídio chegou a 5,8 por 100 mil habitantes. Isso significa mais de 11 mil óbitos por esta causa.

Sobre esse assunto, o Fan F1  preparou uma entrevista com Psicóloga Márcia Lourêdo, ela explica as possíveis causas do suicídio e como ele pode ser evitado.

É possível determinar uma causa específica para o suicídio?

Não.

A causa especifica do suicídio é quase impossível de ser determinada, sempre vamos encontrar um conjunto de causa, sejam psicológicas, biológicas, genéticas, que se somam e acabam por levar uma pessoa ao suicídio.

Sabe-se que existem grupos de risco, ou seja, uma maior incidência de suicídio entre as pessoas portadoras de depressão grave, bipolaridade, esquizofrenia, pessoas que fazem uso abusivo de drogas ou bebidas alcóolicas, pessoas que já tentaram o suicídio anteriormente, que sofreram abuso sexual, os portadores de doenças com dores crônicas e de transtorno de estresse pós-traumático. Entretanto, pesquisas comprovam também que, se as pessoas pertencentes a estes grupos de risco possuírem fortes vínculos familiares e sociais, forem corretamente diagnosticadas e possuírem tratamento adequado, dificilmente cometeram o suicídio.

A OMS declara que 90% dos suicídios ocorrem entre pessoas que possuem transtornos mentais que não foram devidamente diagnosticados e tratados.

Como identificar um possível suicida?

Pelos sinais verbais e comportamentais.

Normalmente os possíveis suicidas apresentam falas que transmitem sua insatisfação com si próprio, com os outros, com o futuro e com a vida. Discursos como: “não vejo sentido na vida”, “não aguento mais tanto sofrimento’, “preciso acabar com tudo”, são sinalizações verbais a serem considerados pelos familiares e amigos.

Um possível suicida também apresenta comportamento diferente do habitual, ficando retraído, evitando interações sociais, evitando se comunicar, sair de casa, demonstra apatia e falta de entusiasmo. Atividades que antes lhe eram prazerosas agora são evitadas.

Outro sinal de alerta ocorre quando pessoas que fazem uso de substancias toxicas ilícitas ou medicamentos começam a adquiri-los em grande quantidade.

Além disto, se a pessoa é portadora de algum transtorno mental e está se recusando a tomar os medicamentos, pode ser um sinal de agravamento da doença, com a possibilidade de suicídio.

Como posso ajudar um possível suicida?

Primeiro, ouvido sem proferir juízo de valor ou críticas, não fazendo comparações com outras pessoas, simplesmente acolhendo e se mostrando compreensivo.

Em segundo lugar, indicando e, se possível, acompanhando aos profissionais de saúde competentes, de preferência psiquiatras e psicólogos.

Qual a importância do setembro amarelo?

O setembro amarelo é uma iniciativa do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria.

O principal objetivo do setembro amarelo é a prevenção do suicídio, através de ações que desmitifiquem a cultura em torno do tema, informem a população maneiras de lidar com o mesmo, habilitem os profissionais de saúde, de todos os níveis de atenção, para reconhecer os fatores de risco e sensibilizem profissionais da imprensa para a importância da divulgação das formas de prevenção.

Como prevenir o suicídio?

Através do tratamento eficaz das doenças mentais.

Através do fortalecimento de uma cultura de acolhimento, de escuta, de cuidado com o outro, de entendimento e aceitação, para que as pessoas com ideação suicida não se sintam excluídas e discriminadas.

E, principalmente, através da criação de políticas públicas e canais de esclarecimento que visem a desmistificação e a quebra de preconceitos e estigmas acerca do suicídio, das doenças mentais, seus medicamentos e tratamentos.

Para você o que é o suicídio?

Os suicidas não estão exercendo seu direito de livre arbítrio, como muitos defendem, provavelmente, sua percepção de realidade, de cognição, está alterada pela desregulação emocional.

A maneira que uma pessoa, provavelmente com doença mental ou com sérios distúrbios de regulação emocional, encontra para acabar com o sofrimento é provocando em si mesmo o maior dos sofrimentos, tirar a própria vida.

Logo, “o suicídio é o grande paradoxo do ser humano.”

Qual a importância de falar sobre o suicídio?

Abordar esse assunto é a forma de incentivar as pessoas com ideação suicida a falar sobre seus problemas, diminuindo a angustia da solidão e da falta de compreensão sobre seus sofrimentos.

À mídia cabe encontrar a forma adequada de abordar esse tema de saúde pública, levando conhecimento a população para que as pessoas saibam identificar os sinais da ideação suicida, qual a melhor forma de agir diante desta