Você me perguntou por que eu te amo. Não tenho uma resposta pronta, matematicamente exata, aquela frase que cala… Que tapa todas as fendas, que sacia o desejo por uma explicação simples, estanque, direta.

O amor não é simplista, ele sempre transborda para fora da caixa quando tentam encouraçá-lo, porque o amor não pode ser retido dentro de dogmas cartesianos. O amor subverte a lógica, as bulas, os tratados, os contratos e tudo aquilo que o aprisiona.

O amor é constituído do que é etéreo. Sua fluidez e sutileza não nos permitem tocá-lo, apenas senti-lo na sua genuína nudez. Sabe aquela energia que faz nossos olhos brilhar, nossa alma levitar? É o amor, a luz que a tudo ilumina, a fonte perpétua onde a felicidade germina.

Quando não entendemos o processo de algo tentamos enquadrá-lo num conceito tangível, dissecá-lo, racionalizá-lo, cientificizá-lo. Porque o ego quer ter o controle do absoluto. É desconfortável para o ego reconhecer que não domina e não conhece tudo. Mas o amor é abstrato por natureza e transcende a toda mesquinhez.

O amor é onipotente e onipresente, transita em todos os lugares, vive dentro e fora de nós, mas se tem um lugar onde se sente aconchegado, ah! É no nosso coração. Entretanto, um bicho egoísta chamado orgulho fecha-lhe a porta, impedindo-o de entrar. Não obstante, ele é forte, porém não gosta de embates e de medir forças, prefere dar tempo ao tempo para que possa se alojar. Sua potência atravessa o espaço, outras dimensões e até outras vidas. Ele é paciente e sabe esperar o momento certo para agir, a fim de promover os encontros e reencontros de alma.

Eu não sei o porquê de te amar, talvez porque permiti que o amor fluísse em mim, porque não tentei racionalizar, porque quebrei as amarras, desvencilhei-me das correntes da autodefesa, porque estou entregue, desnuda, receptiva para receber o que há de melhor da vida. Porque cansei de postergar minha felicidade, de hipotecá- la  nas mãos de agiotas.

Talvez eu te ame porque aprendi que não existem pessoas perfeitas, porque amo a ideia de dar e receber amor, porque quero compartilhar muitos  sucessos e poucas derrotas, ter alguém para conversar sobre alienígenas, personagens da Marvel e outras amenidades. Talvez te ame porque posso ser eu mesma (asséptica, sem adereços fúteis). Talvez eu te ame porque me reconheço  na tua força e na tua fraqueza.

Talvez você se incomode com tanto TALVEZ nesse texto, mas navegar na incerteza é estar aberta para o amor, pois quando se trata de amar não temos nenhuma garantia de que vai ser recíproco ou que vai durar para sempre. É um risco que se corre, é um voo kamikaze, um salto sem rede de proteção. Ainda assim, avalio que vale a pena esse mergulho no abismo. Quem sabe se uma piscina de algodão doce não seja a recompensa?

Ah! Eu te amo porque para amar precisa ter coragem e desprendimento.

Um aviso:  não sou perfeita, não sou boa cozinheira, não sei costurar, nem sequer pregar um  botão, não tenho muitas habilidades, não sou poliglota, não sei pilotar avião, não sei construir submarino. Estar consciente da minha pequenez não me angustia mais, sei muito pouco de tudo, e isso me torna leve. Tenho consciência que sou uma mera  aprendiz na grande escola que reflete o macro e microcosmo.  Aprender  com você vai ser  para mim a mais desafiadora lição de casa.