O Grito dos Excluídos reuniu pastorais sociais e movimentos da Igreja Católica, outras Igrejas cristãs, religiões de matriz africana e movimentos sociais e sindicais na manhã desta sexta-feira, 7. O evento teve início na Praça Fausto Cardoso no Centro de Aracaju e entrou na Barão de Maruim após o desfile oficial, seguindo até a Praça da Bandeira.

Em sua 24ª edição o Grito este ano teve um racha no início do evento, a Central Única dos Trabalhadores de Sergipe (CUT-SE) não participou da marcha. O motivo teria sido uma indelicadeza cometida pela organização do evento que jogou bandeiras da CUT-SE de cima do carro de som.

PM travou avanço do grito

O vice-presidente da CUT-SE, Plínio Pluguiese, afirmou que houve desrespeito por parte da Igreja Católica. “Desde o primeiro Grito que a gente constrói juntos e como todos os anos, os sindicato filiados a CUT colocaram estrutura para a realização do evento, mas a Igreja resolveu não abrir espaço para as bandeiras políticas dos movimentos, além disso, faltou com respeito quando jogaram nossas bandeiras que colocamos no carro de som, no chão”, explicou.

Plinío afirmou também que a CUT-SE deverá puxar uma nova proposta do evento em 2019. Outro momento de tensão se estendeu por toda avenida Barão de Maruim. A Polícia Militar de Sergipe controlou o avanço da marcha, o que causou protesto.

“Não concordei e achei que foi comodismo da Igreja e soube que houve concordância da coordenação para que a PM estivesse ali. Conversei com o arcebispo que também  não gostou da falta de visibilidade, tentei puxar a comitiva para frente, mas quem estava na faixa não concordou”, afirmou Ronildo Almeida que é presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT),

Igreja Católica lidera o grito desde 1994

O Grito dos Excluídos alertou a sociedade afirmando que as desigualdades sociais e privilégios geram violência. O Grito teve a participação de líderes cristãos e de religiões de matriz africana. Antes de inciar a marcha e ainda na Praça Fausto Cardoso, cada líder fez uma reflexão e ao final foi puxada uma oração ecumênica.

Para o pastor os cristãos não podem viver apenas de oração enquanto há pessoas passando fome

“É um importante testemunho da comunidade religiosa e de quem não tem nenhum tipo de fé, de que a sociedade está cansada com o tipo de exclusão que está ocorrendo. Os religiosos ao invés de ficarem apenas olhando, estão ancorados na necessidade de transformar a sociedade”, afirmou o pastor Alexandre de Jesus.

O arcebispo de Aracaju, Dom João Costa, disse que a luta pela defesa da vida é missão de todos. “Para defender a vida precisamos nos unir com todas as expressões da sociedade. Defender a vida é missão de todos e portanto, nesse momento a gente se une para caminha em defesa de vida plena para todos”, afirmou.

Além de atuar como líder religioso, Paulo atua no movimento sindical

As religiões de matriz africana aproveitaram o evento para protestar contra o preconceito. “Somos uma denominação religiosa extremamente excluída da sociedade, nós estamos aqui gritando contra a intolerância e o racismo religioso”, disse o babalorixá Paulo Lira.

O tema do Grito dos Excluídos 2018 foi “Vida em Primeiro Lugar”  com o lema, “Desigualdade gera violência: basta de privilégio”.

Fotos: Narcizo Machado