O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em documento encaminhado nesta quarta-feira, 1º, ao governo dos Estados Unidos, que a manutenção de eventuais tarifas sobre produtos brasileiros representaria uma “vitória política” para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No texto, o parlamentar defende que a gestão de Donald Trump suspenda a medida e abra negociação bilateral nas áreas afetadas. Segundo ele, as tarifas “proporcionariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem arquitetando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”.
Flávio também argumenta que as medidas “recompensariam justamente os infratores que deveriam punir” e sugere que a proximidade do calendário eleitoral brasileiro deve ser considerada na decisão norte-americana. Para o senador, a adoção das tarifas neste momento poderia ser interpretada como tentativa de influência no processo eleitoral, o que, segundo ele, poderia gerar reação negativa e desgaste à imagem dos EUA no Brasil.
Em outro trecho, o documento sustenta que o adiamento da implementação das tarifas após o pleito evitaria esse tipo de interpretação e reduziria riscos de tensionamento político entre os países.
Governo brasileiro fala em “custos pesados” aos EUA
Em resposta encaminhada ao Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apresentou nesta quarta-feira, 1º, a defesa final do governo brasileiro no processo que pode resultar na aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos do país.
O USTR conduz uma investigação com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que inclui acusações de práticas desleais envolvendo temas como uso do Pix, corrupção, desmatamento e proteção à propriedade intelectual.
No documento, o chanceler brasileiro afirma que, mesmo que as conclusões preliminares sejam mantidas, a adoção de tarifas seria inadequada. Segundo ele, a legislação dos EUA autoriza apenas medidas “apropriadas e viáveis” para corrigir práticas questionadas, o que não se aplicaria, na avaliação do governo, a uma taxação ampla de 25%.
“A medida está desconectada do objetivo real, que seria eliminar a conduta questionada, e vai impor custos pesados a empresas americanas sem resolver os problemas apontados”, diz o texto.
*Com informações da CNN Brasil







