Estatístico explica critérios de uma pesquisa eleitoral e afirma: “Precisa retratar o momento, com perspectivas futuras”

Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta quinta-feira, o estatístico Ralbert Menezes falou sobre os requisitos necessários para a realização de uma pesquisa eleitoral. Na ocasião, ele explicou quais critérios técnicos devem ser observados para garantir a representatividade e a confiabilidade dos levantamentos.

“Primeiramente, o critério ser contratado estatístico. É um pré-requisito de um registro lá no PesqEle, que é o programa do Tribunal Superior Eleitoral, que é ter não uma assinatura, mas ter um carimbo do estatístico. Então, existem variáveis que são variáveis comuns de o trabalho, como forma de estratificação e delineamento da amostra. Que é a variável de gênero, faixa etária, escolaridade, nível de renda, ponderações de localidades. Então, a partir desses pressupostos de variáveis, você começa a trabalhar e a mapear o seu estudo”, explica.

O pesquisador também afirmou que é fundamental estudar e conhecer o perfil do município ou da região onde a pesquisa será realizada, já que a falta desse conhecimento pode comprometer os resultados e tornar o levantamento tendencioso.

“O pesquisador, ele tem que ter a sensibilidade, ele tem que conhecer geograficamente o município, o estado qual ele esteja trabalhando. Então, informações do perfil socioeconômico, momento do que tá se passando, por quê? A pesquisa ela precisa retratar o momento, com perspectivas futuras. Mas para que você possa retratar o momento, é necessário que você tenha a sensibilidade do que está acontecendo, pois pode trazer viés ao estudo. Então, a gente faz a parte de inferência, que é você retratar uma população de acordo com uma amostra. Então, ela precisa estar completamente limpa, ela não pode ter viés. Porque trazendo o viés, você traz distorções, informações e interpretações equivocadas”, diz.

O estudioso também comentou sobre a possibilidade de utilização da chamada amostragem híbrida, método em que a coleta de dados pode ocorrer de forma desproporcional, desde que sejam aplicados pesos estatísticos para corrigir eventuais distorções.

“Mesmo que você faça uma coleta dessa forma, desproporcional, que a gente chama na amostragem híbrida, é quando você atribui pesos para que esse peso ele possa fazer a devida correção. Então, você pode coletar desproporcional, não tem problema nenhum, para fins de estudos estratégicos. Mas é preciso que você calcule pesos para que esses pesos possam corrigir aqueles dados desproporcionais para que você possa ter realmente o retrato daquele momento, a temperatura daquele momento”, finaliza.

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