Quem recebeu a vacina contra a dengue do Instituto Butantan há menos de 21 dias deve ficar atento ao surgimento de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos e sinais de desidratação, além de procurar acompanhamento da secretaria de saúde local.
Segundo o Instituto Butantan, já para quem foi imunizado há mais de 21 dias, a proteção da vacina está mantida e os casos graves em investigação não alteram as evidências de eficácia e segurança observadas nos estudos clínicos.
A orientação foi reforçada pelo diretor do Butantan, Esper Kallás, em entrevista nesta terça-feira, 9, um dia após o Ministério da Saúde anunciar a suspensão preventiva da aplicação da vacina em todo o país.
A suspensão foi adotada após o registro, por meio da farmacovigilância, de 42 casos de reações severas possivelmente ligadas à vacina. Entre eles, duas mortes que estão sob investigação. Segundo o Ministério da Saúde, foram aplicadas 500 mil doses até 30 de maio, sendo 417 mil apenas em profissionais de saúde.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo aplicada em dose única e a primeira totalmente brasileira. A imunização começou no início deste ano, inicialmente voltada para profissionais de saúde.
Com a medida, estados e municípios vão suspender temporariamente a aplicação da vacina enquanto os casos de eventos graves e as mortes são investigados. O governo federal informou que acionará as secretarias estaduais e municipais para reforçar a busca ativa por possíveis efeitos adversos.
E quem já tomou a vacina?
A principal orientação é para quem recebeu a dose nos últimos 21 dias. Essas pessoas devem permanecer atentas ao aparecimento de sintomas e manter acompanhamento junto às secretarias de saúde locais.
Já aqueles que foram vacinados há mais de 21 dias, segundo o Butantan, podem contar com a proteção demonstrada nos estudos clínicos e não precisam adotar medidas adicionais além das recomendações habituais de prevenção à dengue.
Em nota, o Instituto Butantan informou que seguirá a orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, suspendendo preventivamente a vacinação para reavaliação da estratégia vacinal.
Segundo a análise das autoridades sanitárias, os dados de farmacovigilância identificaram reações que não haviam sido observadas nos estudos que embasaram a aprovação do imunizante.
Antes de ser aprovada, a vacina foi aplicada em 16 mil pessoas acompanhadas durante cinco anos. A partir desse monitoramento, teve sua eficácia e segurança comprovadas. O estudo foi publicado pela revista Nature e teve repercussão internacional.
O que foi registrado na farmacovigilância
O primeiro caso grave envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação. Segundo o governo federal, ela evoluiu para dengue grave com choque, precisou ser internada em UTI e se recuperou.
Os dois óbitos investigados são:
- Uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após receber a vacina. O quadro incluiu comprometimento neurológico, com meningoencefalite, e evoluiu para morte.
- Um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após a vacinação e evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário. Ele também morreu.
Como próximos passos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que notificou o Instituto Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica dos casos.
Sintomas que devem ser observados:
- Febre
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura
- Sangramentos
- Sonolência intensa
- Irritabilidade
- Sinais de desidratação
- Piora do estado geral
*Com informações do G1








