MPSE discute crise hídrica no Ibura e impactos no abastecimento de Nossa Senhora do Socorro

Foto: MPSE

O Ministério Público de Sergipe (MPSE) realizou, nesta terça-feira, 7, uma audiência para discutir a crise hídrica que atinge o sistema de captação de água do Ibura, responsável por parte do abastecimento de Nossa Senhora do Socorro. A reunião foi conduzida pelo promotor de Justiça Sandro Luiz da Costa e teve como foco identificar as causas da redução no volume de água e seus impactos na população.

De acordo com a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), a vazão do Ibura vem diminuindo desde 2021, mas o esgotamento da reserva aconteceu recentemente, há cerca de 15 dias. A concessionária Iguá Saneamento informou que a situação já provoca uma perda de até 40% no abastecimento em regiões como o Complexo Taiçoca e o centro do município.

Uma das principais hipóteses levantadas durante a audiência é que atividades de mineração de calcário na região possam ter interferido no aquífero. Relatórios da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) apontam que empresas realizam bombeamento de água após atingirem o lençol freático, direcionando o fluxo para o Riacho Madre, o que pode ter alterado o comportamento natural da água e contribuído para a seca no Ibura.

Como medida emergencial, a Deso ativou cinco poços para minimizar os efeitos do desabastecimento, ação confirmada pela Iguá.

Diante do cenário, o MPSE determinou que a Adema convoque a mineradora envolvida para revisar as condicionantes da licença ambiental. A empresa deverá apresentar estudos técnicos detalhados, incluindo análises hidrogeológicas, para esclarecer a origem do problema e possíveis responsabilidades.

Além disso, a audiência também abordou irregularidades na Estação de Tratamento de Água (ETA) do Ibura. A Deso terá 15 dias para prestar esclarecimentos sobre falhas como armazenamento inadequado de produtos químicos e ausência de equipamentos de proteção para trabalhadores.

A Adema também fará análises no Riacho Madre para avaliar possíveis danos ambientais. O MPSE prevê ainda solicitar apoio técnico ao Serviço Geológico do Brasil (SGB) e à Universidade Federal de Sergipe (UFS) para validar os estudos apresentados.

Participaram da reunião representantes de órgãos ambientais estaduais e municipais, além de integrantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe e equipes técnicas das concessionárias envolvidas.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *