Bastidores
Por Narcizo Machado
Quando um crime grave é amplamente publicizado e o autor é apontado como réu por provas reunidas pela Polícia e pelo Ministério Público, entregar a ele uma função de destaque dentro de partido, seja de esquerda ou direta, significa relativizar princípios fundamentais.
Flávio da Direita Sergipana é réu por tentativa de assassinato. Ele é acusado de ter atropelado e arrastado, por mais de dois quilômetros, um militante do PT sobre o capô de um carro durante as eleições municipais de 2024. O caso tramita na Justiça de Sergipe e o Ministério Público o denunciou por tentativa de homicídio, além de comunicação falsa de crime.
Explico o choque com o “Deus, Pátria, Família”: Qual o maior bem que Deus nos deu? A vida. Atentar contra ela é um dos pecados mais graves.
Qual o maior bem social que temos? A família. O militante agredido ficou com sequelas físicas e emocionais que afetaram diretamente sua família.
Uma Pátria se torna grande quando não apenas as leis são cumpridas, mas quando seus princípios morais são respeitados na prática. Simples assim.
Apesar da atuação de radicais de direita, que muitas vezes querem negar aos adversários o direito à presunção de inocência e ao contraditório, a verdade é que, quando o princípio jurídico nos favorece, alguns acordam para sua importância. Este caso de Flávio é clássico.
Até que haja condenação transitada em julgado, e enquanto o cidadão responder em liberdade, ele está juridicamente apto a exercer funções partidárias ou públicas não eletivas. Não há o que discordar nesse ponto.
Mas há controvérsias morais profundas. Colocar Flávio da Direita no comando do PL Jovem de Sergipe é uma desonra ao partido ou será que a defesa dos princípios conservadores pode ser relativizada conforme a conveniência do personagem?








