Por Karllene Costa – jornalista e consultora em comunicação política
A eleição de 2026 pode até não ter sido oficialmente aberta. Mas, na prática, ela já começou. E não começou nos gabinetes, nem nas reuniões fechadas. Começou nas ruas. E quem não entendeu isso ainda já saiu atrás.
Desde a eleição de 2024, quando a prefeita Emília Corrêa venceu um candidato apoiado simultaneamente pela máquina municipal e estadual, Aracaju deixou de ser apenas capital administrativa para se tornar epicentro de uma disputa maior: a narrativa política de Sergipe.
O que parecia uma vitória localizada começa, agora, a ganhar contornos de projeto. E isso incomoda. Em pouco mais de um ano e meio, o nome de Emília deixou de ser especulação e passou a ser presença constante no imaginário político. Não apenas como gestora, mas como possibilidade real de enfrentamento ao grupo que hoje ocupa o Governo do Estado.
E não foi por acaso.Há uma diferença clara, e cada vez mais visível, entre quem administra e quem mobiliza. Emília mobiliza. E isso ficou escancarado nas comemorações do dia 17 de março.
O aniversário de Aracaju não foi apenas uma celebração institucional. Foi uma demonstração de força política em praça pública. Do calçadão da Praia Formosa ao atracadouro, o que se viu foi uma multidão que não apenas ocupou o espaço — ela deu significado a ele.
Aquilo não foi só festa. Foi um sinal claro de que a prefeita Emília Corrêa tem trânsito livre junto ao povo. A lotação que se viu nas ruas do Centro de Aracaju no aniversário da cidade não era somente a presença do povo. Era pertencimento. Era identificação. Era, sobretudo, uma resposta coletiva a um tipo de liderança que se comunica olhando no olho.
E aqui está o ponto que muitos ainda insistem em subestimar: política não é só entrega. É conexão. Enquanto parte da classe política ainda acredita que gestão se resume a obras e indicadores, Emília parece entender algo mais profundo e mais perigoso para seus adversários: o eleitor quer se sentir parte da história.
E quando isso acontece, o vínculo deixa de ser racional. Passa a ser emocional. E o vínculo emocional não se desfaz com facilidade. Mas não é só na rua que a prefeita Emília Corrêa constrói esse movimento.
Enquanto consolida sua imagem junto ao povo, Emília também avança no campo político. A articulação para o plebiscito da zona de expansão partiu dela e não é apenas uma pauta administrativa — é uma jogada estratégica que reposiciona território, discurso e protagonismo político e mais uma vez, o tal do pertencimento.
E tudo isso acontece ao mesmo tempo em que ela recebe um certificado antirracista ampliando seu alcance simbólico e que desmonta, peça por peça, narrativas que tentaram limitá-la a um campo ideológico restrito. E o resultado disso é que ela torna-se mais ampla, mais difícil de atacar e mais difícil de conter.
Do outro lado, o grupo governista observa e reage. Investe em agenda, em eventos, em presença institucional. Mas ainda parece operar dentro de uma lógica tradicional, onde governar é suficiente. E talvez já não seja. Porque a disputa que se desenha para 2026 não é apenas administrativa. É uma narrativa.
De um lado, uma liderança que cresce na rua, constrói símbolos e transforma eventos em atos políticos. Do outro, uma estrutura que tem a máquina, alianças e capilaridade. É uma disputa clássica — mas com uma diferença importante: o eleitor mudou.
Hoje, ele não escolhe apenas quem entrega mais. Escolhe quem representa mais. E, nesse quesito, Emília larga na frente. O evento do aniversário da cidade foi, na teoria, uma celebração. Mas, na prática, foi outra coisa. Foi teste, medição de força e principalmente, foi um aviso.
E talvez o mais importante: foi um deslocamento silencioso de eixo político. A pergunta agora não é mais se há espaço para essa disputa em 2026. A pergunta é quem vai conseguir acompanhar o ritmo que já começou a ser imposto. Porque, no fim das contas, a política continua sendo decidida por quem consegue ocupar o imaginário popular.
E, neste momento, Aracaju já deu um sinal claro de que Emília Corrêa está conseguindo fazer isso muito bem.








