Em entrevista ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta sexta-feira, 20, o economista Márcio Rocha analisou o aumento no preço dos combustíveis em Sergipe, que tem pesado no bolso do consumidor. Segundo ele, embora o cenário internacional influencie diretamente os valores, na prática, os reajustes sucessivos no estado estão diretamente ligados à política adotada pela Acelen, empresa responsável pela Refinaria de Mataripe, que abastece Sergipe.
Durante a entrevista, Rocha explicou que, apesar de a Petrobras ainda anunciar reduções, aumentos ou a manutenção dos preços em nível nacional, as refinarias privatizadas no Brasil possuem autonomia para definir seus próprios valores, com base no mercado internacional.
“A política de preços da Petrobras, ela é feita de uma maneira diferente do que a gente tem aqui. Somos nós em Sergipe com a Acelen, é o pessoal do Rio Grande do Norte e Paraíba com a 3R, é o pessoal em Manaus com a refinaria lá que eu esqueci o nome, e mais duas no país. Essas refinarias que foram privatizadas, elas praticam o preço da paridade internacional, que é de acordo com a oscilação do barril do petróleo. A Petrobras, ela trabalha já com a sua própria política de preços porque ela extrai, refina e passa para a distribuidora. Essas refinarias, então, elas não obedecem à Petrobras”, pontuou Rocha.
Na avaliação do economista, no entanto, a velocidade com que os reajustes vêm sendo aplicados não acompanha a lógica da cadeia de produção e distribuição do combustível. Ele argumenta que existe um intervalo entre a compra do petróleo no mercado internacional, o refino e a chegada do produto às distribuidoras, o que tornaria os aumentos imediatos injustificáveis.
“O aumento da Acelen, inclusive, foi feito de uma maneira absurda no que diz respeito para nós consumidores e para os próprios empresários donos de postos. Por quê? Começou a guerra, três dias depois os caras lançaram um aumento de 21 centavos numa terça-feira. Numa quinta-feira, lançaram um aumento de 24 centavos, isso tudo no preço da refinaria. Na semana seguinte, lançam um aumento de 40 centavos. Agora já tem previsto mais um de 36 centavos que eu li agora há pouco a informação”.
Ao aprofundar a análise, Rocha detalhou o ciclo logístico do petróleo e reforçou que os preços atuais não deveriam refletir de forma tão imediata as oscilações recentes do mercado internacional. “Se o combustível deveria aumentar a partir de quarta-feira passada, por que quarta passada? Hoje é sexta, então anteontem, por quê? Completam-se 22 dias que é o ciclo de tráfego do petróleo de lá, do Oriente Médio, até Mataripe. Mais dois dias para poder você fazer a baldeação, o transbordo e todo o tratamento para daí sair para a distribuidora. Ou seja, o combustível que a gente está comprando hoje, ele foi feito no mínimo há 30 dias atrás.O preço era na casa de 66, 68 dólares, mas já estavam vendendo aqui na casa de 80 e agora já estão vendendo na casa de 110. Isso é o que quebra o popular, é o que quebra as pernas do consumidor, a partir do momento em que a gente está pagando muito mais caro, muito além do que o que deveria. O preço de hoje deveria acontecer daqui a duas semanas”, explica
Por fim, o economista criticou a postura da empresa e avaliou que não houve justificativa adequada para os aumentos recentes, apontando um impacto direto e desproporcional sobre consumidores e empresários. “Totalmente descabida essa atitude deles. Foi meramente ditatorial porque eles têm o controle do fornecimento do mercado”, conclui.








