Nesta segunda-feira, 8, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciou que testará ferramentas de inteligência artificial para diminuir a participação humana na formulação da prova e evitar vazamentos.
A decisão veio a partir da divulgação antecipada de 8 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e 4 da edição da Grande Belém pelo estudante de medicina Edcley Teixeira. As questões circularam dias antes da aplicação do exame em lives, grupos de WhatsApp e apostilas, com respostas praticamente idênticas. O episódio ficou conhecido como ‘caso Edcley’.
Até o momento, apenas 3 das 8 questões foram anuladas pelo Inep. A Polícia Federal foi acionada para apurar o caso. Nenhuma das 4 questões vazadas da aplicação na Grande Belém foram anuladas.
Atualmente, as questões do Enem são selecionadas a partir do Banco Nacional de Itens (BNI), alimentado por um processo em três etapas:
- Elaboração: professores e pesquisadores credenciados redigem as perguntas;
- Validação pedagógica: especialistas verificam alinhamento com a matriz de referência;
- Pré-testagem: os itens são aplicados em grupos de estudantes, de forma disfarçada, para medir o grau de dificuldade, discriminação e acerto casual, ou seja, a chance do candidato acertar “chutando”.
Segundo o presidente do Inep, Manoel Palacios, a última etapa concentra mais chances de vazamentos. Ele afirma que são necessários 15 mil estudantes para o pré-teste, o que dificulta a garantia de sigilo.
No caso de Edcley, o estudante descobriu que um concurso da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) era um dos meios de testagem do banco de perguntas do Enem, ou seja: algumas das questões podem vir a integrar edições futuras. Com esse acesso, Edcley passou a pagar estudantes para participarem do concurso, memorizando o máximo de questões para divulgar nos grupos e apostilas. Assim, Edcley montou um banco de perguntas semelhante ao original.
A partir desse caso, as mudanças propostas pelo Inep são:
- Uso de inteligência artificial na fase de pré-testagem: os sistemas devem simular candidatos fortes, medianos e fracos, evitando a necessidade de utilizar estudantes reais.
- Possíveis novos formatos de pré-teste: o Inep estuda trocar os tipos de provas utilizadas para testagem.
- Anulação de 3 das 8 questões vazadas da aplicação principal. Nas redes sociais, candidatos que não tiveram acesso às questões pedem anulação total, alegando que o vazamento privilegia os alunos que leram antecipadamente.
Segundo Palacios, a utilização de ferramentas de inteligência artificial ainda exige uma equipe de juízes para alinhar as máquinas e garantir que o processo seja preciso.







