Alessandro Vieira faz críticas à alteração na Lei da Ficha Limpa e justifica: “Permite que políticos corruptos voltem mais rapidamente ao jogo eleitoral”

Alessandro

Em entrevista concedida ao Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, na manhã desta quinta-feira, 4, o senador Alessandro Vieira (MDB) apresentou duras críticas ao projeto que altera a Lei da Ficha Limpa, aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. A proposta segue agora para a etapa de sanção ou veto presidencial por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Alessandro Vieira foi o único senador sergipano a votar contra o projeto que modifica a contagem do tempo de inelegibilidade, período em que uma pessoa condenada por órgão colegiado fica impedida de disputar eleições. Sobre o assunto, ele explicou: “Ela permite que os bandidos, os criminosos e políticos corruptos voltem mais rapidamente pro jogo eleitoral. É uma legislação que não ajuda ninguém, é nos seus criminosos que desenharam a lei lá atrás e que vão ser beneficiados. Gente que foi filmada, por exemplo, recebendo propina em determinado estado, e que, por várias manobras e decurso de tempo, vai conseguir agora voltar pra disputar uma eleição, enfim, pra tentar retornar o jogo”, disse.

Durante a entrevista, o senador também destacou a necessidade de criar leis que sirvam de fato à sociedade brasileira e a beneficiem em todos os sentidos. “É uma possibilidade, porque é uma lei que não ajuda absolutamente em nada a sociedade […] O Congresso, muitas vezes, com toda justiça, é acusado pela sociedade de legislar de costas para o povo, de não ouvir o povo, pensar só nos seus interesses […] Na semana seguinte, a gente voltou ao hábito e legislou novamente contra a sociedade. É uma pena, lamentável”, afirmou.

Por fim, Alessandro Vieira esclareceu como irá funcionar a nova regra após uma eventual sanção presidencial. De forma prática, ele explicou que a mudança reduz o impacto da punição para políticos condenados. “Vamos dizer que o cara teve 10 condenações por vários crimes, ele vai ficar fora 12 anos no máximo. O prazo passa a ser de 8 anos e esses 8 anos eles são contados da diplomação na eleição na qual ele concorreu e enfim teve lá o processo. A consequência disso é que esse criminoso vai ficar fora das eleições no máximo por uma eleição, porque a diplomação nós sabemos que é a anterior, então a jogada é essa”, finalizou.

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