O vereador por Aracaju Lúcio Flávio (PL) denunciou nesta terça-feira, 12, durante discurso na tribuna da Câmara Municipal de Vereadores, o que classificou como proselitismo político na prova de redação de vestibular da Universidade Federal de Sergipe (UFS), aplicado na modalidade de Ensino a Distância (EAD).
A prática de proselitismo se refere ao empenho de tentar converter uma ou várias pessoas em prol de determinada causa, doutrina, ideologia ou religião.
Segundo o vereador, o tema da redação foi “O avanço do neonazismo no século XXI”. Um dos textos motivadores, de acordo com ele, tratava da eleição de Jair Bolsonaro, associando o ex-presidente e o bolsonarismo ao termo neonazismo.
Na sequência, a proposta de redação afirmava: “Os discursos da extrema-direita e ultranacionalistas são disseminados e potencializados por meio de novos formatos de comunicação, como as plataformas digitais. Diante desse cenário, como assegurar a defesa da democracia e dos direitos humanos?”
“Isso aqui é crime. […] Uma instituição pública federal que deveria ser democrática, de pensamento pluralista, sem preconceito, acaba de criar uma pecha em quem é de direita, acaba de criar um carimbo, uma acusação, chamando de neonazista as pessoas que são de direita, apoiadores do Bolsonaro e o próprio Bolsonaro, numa redação que avaliaria estudantes para serem aprovados no vestibular EAD”, denunciou o parlamentar.
Ainda durante a sessão, ele afirmou que iria interpelar a coordenação do vestibular e solicitar o cancelamento da redação.
“Vou buscar o reitor da universidade para saber se ele tinha ciência deste crime que aconteceu”, completou Lúcio.
Em nota, a Universidade Federal de Sergipe (UFS) lamentou o ocorrido e informou que foi determinado o cancelamento imediato da prova de redação aplicada no Vestibular EAD.
Segundo a UFS, pelo sigilo que rege a elaboração das provas, não é realizado o acesso prévio ao conteúdo das avaliações, que são elaboradas por profissionais contratados para prestar serviços à Comissão de Concursos Vestibulares (CCV).
“Reafirmamos que a UFS não coaduna com qualquer forma de discriminação, polarização política ou radicalismos ideológicos. Somos uma instituição que preza pela democracia, pluralidade e diálogo, pautando-se sempre pelo respeito à diversidade de pensamentos, ideias e identidades”, diz o comunicado.
Ainda conforme a instituição, outras providências para garantir a continuidade e a lisura deste e de próximos processos seletivos serão informadas pelos canais oficiais.








