Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) teve movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo neste sábado, 24.
Segundo o Coaf entre as operações consideradas atípicas pelo órgão vinculado ao Banco Central está o recebimento de R$ 520 mil de um escritório de advocacia para quitar antecipadamente o financiamento da mansão adquirida pelo senador em Brasília.
O Globo teve acesso a documentos que , integram a investigação da Polícia Federal sobre os vínculos do parlamentar com o advogado Willer Tomaz num suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo transações com bets. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Procurado, Flávio não se manifestou.
De acordo com o relatório, o senador movimentou entre janeiro e março de 2024 cerca R$ 1,3 milhão em transações financeiras, sendo R$ 660.111 em créditos e R$ 649.272 em débitos. De acordo com o órgão, o volume médio de operações nesse período de três meses é 7,19 vezes superior “ao esperado para a renda informada” pelo candidato.
Os documentos mostram que em 2024, Flávio recebeu R$ 520.277,28 do escritório Gavioli e Viola Advogados Associados e utilizou esses recursos para liquidar, de forma antecipada, um empréstimo imobiliário contratado em 2021 junto ao Banco de Brasília (BRB) para comprar uma mansão de R$ 5,97 milhões em uma área nobre da capital federal. A quitação chamou a atenção do Coaf, pois o imóvel foi financiado em 30 anos e a dívida foi liquidada em aproximadamente três anos, por meio de seis pagamentos extraordinários que variaram de R$ 198 mil a R$ 997 mil.
Ao solicitar o empréstimo imobiliário ao BRB, Flávio informou ao banco renda mensal de R$ 56,8 mil, composta pelo salário de parlamentar à época, rendimentos de uma franquia de chocolates e aplicações financeiras. Na ocasião, não declarou receitas provenientes da advocacia.
O Coaf frisa que os relatórios por si só não atribuem crimes, mas servem para embasar investigações que podem ou não concluir que há irregularidades. Os documentos, por exemplo, estão entre os elementos analisados pela PF no inquérito que apura o suposto elo financeiro entre Flávio e o advogado Willer Tomaz, apontado pelo Ministério da Fazenda como o maior apostador do Brasil em 2025, com uma movimentação de cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas online.
*Com informações de ‘O Globo’







