Desmatamento cai ao menor nível desde 1988 na Amazônia e no Cerrado

Foto: Acervo ICMBio

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou, na última sexta-feira, 16, que Amazônia e Cerrado tiveram as menores taxas de desmatamento desde o início das respectivas séries de monitoramento. No período de agosto de 2025 a julho de 2026, a Amazônia perdeu 3.335 km² de vegetação nativa, queda de 41,8% em relação ao ciclo anterior, enquanto o Cerrado registrou 5.516,69 km², redução de 23,8%.

Na Amazônia, o resultado é o mais baixo desde o início da série, em 1988. O ciclo anterior havia somado 5.731 km², e o menor valor até então era o de 2012, com 4.571 km². Pará (1.130 km²), Mato Grosso (849 km²) e Amazonas (525 km²) concentraram as maiores áreas desmatadas. Roraima foi o único estado com alta, de 0,4%. O número de 2026 é uma estimativa, e a taxa consolidada só deve ser divulgada no primeiro semestre do próximo ano.

No Cerrado, a taxa é a menor desde o início da série, em 2001, e supera o mínimo anterior, de 6.319 km², registrado em 2019. No ciclo anterior, o desmatamento havia sido de 7.235,27 km². Os quatro estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) responderam por 74,3% do total, com o Maranhão na liderança, com 1.718,59 km².

Os dados foram apresentados em coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo Ministério do Meio Ambiente, com participação da Casa Civil. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou a queda como “estratosférica” e disse que a situação parecia um “sonho”. Nas redes sociais, o presidente Lula afirmou que “nossa meta é alcançar o desmatamento ilegal zero até 2030”. O secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, chamou o resultado de “conquista histórica”.

Entre as ações citadas pelo governo para o resultado estão a retomada, em 2023, dos planos de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia e no Cerrado e o reforço da fiscalização. De 2023 a 2026, o Ibama registrou 76.095 ações e 25.101 autos de infração, que somam R$ 11,8 bilhões em multas. O governo também informou a criação de 18 unidades de conservação e a ampliação de outras oito, além da homologação de 20 terras indígenas desde 2023.

Os dados do desmatamento medem a supressão de vegetação nativa e não incluem queimadas, que são acompanhadas por outros indicadores. Os números da Amazônia e do Cerrado também não podem ser somados, por usarem recortes territoriais e metodologias diferentes.

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