Em entrevista no Jornal da Fan, da Rádio Fan FM, desta terça-feira, 12, os vereadores Sônia Meire (PSOL) e Lúcio Flávio (PL) protagonizaram um debate acerca do uso da Universidade Federal de Sergipe (UFS) para atos políticos, após manifestações de estudantes no campus. Lúcio acusou militantes de usar o espaço público para fazer campanha eleitoral para Lula e disse que não vai se calar: “Na sua casa eu não vou, mas na Universidade Federal, que eu pago, eu vou sim”. Sônia defendeu o direito dos estudantes de protestar e relembrou ações do governo Bolsonaro como justificativa para as mobilizações.
Lúcio Flávio diz que a universidade “não pertence aos ‘militontos’”
Lúcio afirmou que os cartazes, sem autoria, foram colados em locais não autorizados e trazem mentiras e falsas acusações de crime. Segundo ele, o conteúdo é motivado pelo resultado que está na iminência de acontecer no dia 25, a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Para o vereador, houve campanha eleitoral em um espaço que “não pertence à esquerda, não pertence ao Lula, não pertence ao militonto”. Ao criticar quem quer fazer da universidade “um campo de militância ideológica”, disse: “Faça na sua casa. Vá colar o cartaz mentiroso na parede do seu quarto.”
O vereador esteve na UFS no sábado, 10, para mostrar o que classificou como campanha eleitoral para Lula dentro da universidade. Disse que, desde então, vem sendo xingado e ameaçado, mas que não vai se calar. “A universidade é pública, não é o seu curral nem a sua casa. Na sua casa eu não vou, mas na Universidade Federal, que eu pago, eu vou sim”, declarou. Segundo ele, o ambiente da UFS já está hostil para quem é de direita, conservador ou cristão.
Sônia Meire sai em defesa dos estudantes e lembra cortes no governo Bolsonaro
Sônia Meire respondeu que os estudantes vão às ruas defender a universidade pública e o direito de estudar porque viveram recentemente o que chamou de “desgoverno” na educação, durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Ela lembrou que o período teve cinco trocas no Ministério da Educação, escândalos de corrupção, ataques às universidades e cortes de recursos. “Faltou recurso até para pagar a energia da universidade. Isso é comprovado, você acompanhou isso também, esse momento histórico terrível”, afirmou. A vereadora citou ainda o aumento da evasão escolar e a queda no número de matrículas como desastres dessa política educacional, que, na avaliação dela, levou a educação brasileira aos piores índices dos últimos anos.
Discussão começou na Câmara
A discussão sobre o papel da UFS ganhou força no dia 7 de outubro, quando Lúcio Flávio afirmou, na Câmara Municipal de Aracaju, que as universidades públicas devem prestar bom serviço e que, se for para “formar ativista”, é melhor que fechem. A fala foi uma resposta ao líder da oposição, Elber Batalha (PSB), que havia lembrado a falta de verba da UFS no governo anterior.







