Flávio Bolsonaro pede ao TSE suspensão de 32 perfis e remoção de 221 posts por supostas fake news pró-Lula

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentou na noite desta quinta-feira, 8, uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o presidente Lula (PT). A ação detalha a atuação de uma rede organizada de perfis do Instagram ligada à reeleição do petista de espalhar fake news para produzir o que a equipe do presidenciável do PL classifica como uma “campanha do medo”.

As publicações falam, por exemplo, que Flávio Bolsonaro iria privatizar o SUS (Sistema Único de Saúde), acabar com o Bolsa Família, extinguir o 13º, fazer cortes no programa Farmácia Popular, congelar aposentadorias, dar um golpe de Estado e implementar uma ditadura, impor uma jornada de trabalho de 16 horas por dia e uma escala de “7×0” e que a interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira é um fato consumado.

A petição de 196 páginas foi dirigida à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral e pede, em caráter liminar a suspensão de 32 perfis apontados como “núcleos de produção de desinformação”. “Esta ação não trata de uma publicação infeliz, de uma crítica áspera ou de um exagero próprio do embate eleitoral. Trata de uma engrenagem”, afirma a petição.

A ação também pede: a remoção de 221 publicações em 24 horas; ⁠o bloqueio das collabs entre 48 perfis apontados como os principais da rede; ⁠ ⁠uma ordem para que a campanha de Lula e os perfis ligados a ela não distribuam as postagens; ⁠a quebra de sigilo dos responsáveis por perfis anônimos; ⁠multa de R$ 100 mil por hora às plataformas e de R$ 50 mil por post a quem descumprir as ordens. O centro da acusação é a “collab”, ferramenta do Instagram que permite que até seis perfis assinem a mesma publicação.

Com ela, o post aparece na página de todos os coautores, soma as audiências e ganha mais impulso do algoritmo. A defesa de Flávio diz que a ferramenta é lícita, mas afirma que ela vem sendo usada como “multiplicador industrial de conteúdo falso ou gravemente descontextualizado”.

Os advogados dizem ter coletado 2.856 publicações de 146 perfis entre a 0h de 5 de outubro e 14h28 de 7 de outubro e acusam a existência de 46 perfis de grande alcance da militância digital pró-Lula e ainda acrescentaram os 100 perfis que mais aparecem com eles em collabs.

O resultado é o que a ação chama de “núcleo de desinformação” com 218 publicações, das quais 24 foram classificadas como falsas e 194 como “descontextualizadas sem confirmação”. As publicações teriam sido criadas por 123 perfis e somaram 11,6 milhões de visualizações e 2,5 milhões de interações em cerca de 62 horas. Segundo a petição, 80% delas foram feitas em collab.

Procurada pela CNN, a campanha de Lula informou que não foi notificada da ação. “Não fomos notificados e não temos ciência dessa ação, por isso não temos como responder”, afirmou a campanha.

*Com informações do CNN Brasil

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