Voo de Flávio Bolsonaro em jato ligado a Vorcaro expõe rede de negócios que também envolveu Alexandre de Moraes

Foto: Reprodução Internet

Um levantamento da revista piauí revelou que o candidato a presidência Flávio Bolsonaro, então senador, viajou em janeiro de 2025 em um jato executivo com participação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A aeronave, de prefixo PP-NLR, é a mesma usada meses depois pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, conforme já havia mostrado o jornal O Globo. Na viagem, Flávio estava com a esposa, as filhas e o advogado Willer Tomaz, amigo próximo já investigado em casos como o desvio bilionário do INSS.

A posse do avião era dividida em três partes: uma pertencia a Tomaz, outra ao empresário Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a terceira havia sido comprada pela empresa de Vorcaro no fim de 2024. Documentos da Polícia Federal apontam que cada cota valia cerca de 5,5 milhões de dólares em 2025, e que chegou a ser negociada uma transferência de parte do avião para o escritório da mulher de Alexandre de Moraes, negociação esta que não se concretizou. Registros bancários também mostram milhões de reais em transferências entre a empresa dona do jato e o Banco Master.

A viagem aconteceu justamente no período em que Vorcaro negociava financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, num pacote de 24 milhões de dólares. Mensagens obtidas pela reportagem mostram Flávio cobrando pressa nos repasses logo após o voo, enquanto o dinheiro seguia de empresas brasileiras para um fundo nos Estados Unidos chamado Havengate.

Nesse mesmo período, Eduardo Bolsonaro se mudou para os Estados Unidos e participou ativamente das conversas sobre como enviar os recursos ao país, chegando a sugerir formas de acelerar as remessas. Um colaborador do esquema, que fechou acordo com as autoridades, confirmou o repasse de mais de 12 milhões de dólares ao fundo e relatou ter feito saques em dinheiro vivo a pedido de Vorcaro, cujo destino final ainda não foi esclarecido.

Procurados, Flávio Bolsonaro e a defesa de Vorcaro não responderam à reportagem. Já Willer Tomaz, por meio de nota, confirmou que era dono de um terço do avião e disse que oferecia “carona” a amigos sem custo, mas negou conhecer Vorcaro pessoalmente ou ter feito qualquer negócio com ele. Ele também afirmou ter rompido o contrato ao descobrir, em abril de 2026, que o banqueiro havia adquirido parte da aeronave.

Fonte: Revista Piauí

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